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Documentos mostram detalhes do acordo de Palmeiras e EI que irritou clubes

UOL Esporte

07/12/2018 04h00

Uma 'varredura' em cartórios de São Paulo atrás de atas de reuniões do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) do Palmeiras permitiram aos clubes confirmarem o pagamento de luvas de R$ 100 milhões ao clube alviverde pelo Esporte Interativo. O dinheiro desembolsado como parte de um acordo extra para o contrato de TV fechada do Brasileiro entre 2019 e 2024 revoltou os demais times, que, em sua maioria, receberam em torno de R$ 40 milhões.

Conforme mostrado anteriormente pelo UOL Esporte, eles pleiteiam o repasse da diferença de R$ 60 milhões pela emissora e, em reuniões recentes, escutaram pela primeira vez uma mea-culpa e que uma proposta de compensação financeira será feita até o dia 15.

Ao todo, a iniciativa conduzida pelo Bahia e que teve posteriormente o apoio de Santos, Inter, Ceará, Coritiba e Atlético-PR reuniu mais de 20 documentos relacionados a dados contábeis e reuniões do conselho palmeirense que detalham a grana recebida pelos paulistas.

A reportagem do UOL Esporte teve acesso ao material que, aliado a informações de bastidores, serviu para que as seis equipes pressionassem o Esporte Interativo em uma briga que, em última instância, pode superar os R$ 360 milhões.

A primeira parcela das luvas pagas pelo EI ao Palmeiras foram de R$ 40 milhões, sem descontos de impostos, e constam na demonstração contábil do clube de 2016.

Posteriormente, em ata de reunião do COF realizada em 23 de fevereiro de 2017, é registrada a entrada em caixa de uma nova verba com o valor de R$ 47,5 milhões. Para explicar a cifra, é descrito em documento que "a grande variação (na conta adiantamento) se refere ao pagamento da segunda parcela da luva pela assinatura de contrato com o Esporte Interativo".

Com os dois repasses, a receita em luvas do Palmeiras chega a R$ 87,5 milhões, mais do que o dobro recebido pelos demais times, contrariando, assim, o acordo inicial para que todos recebessem de forma igual.

Por fim, em ata de encontro do COF que aconteceu em 30 de março de 2017, ao abordar o uso de parte da verba do EI "para cobrir caixa", o ex-presidente Mustafá Contursi, membro do conselho, ressalta a existência de "saldo que ainda temos da tv interativa (sic)", com os restantes R$ 12,5 milhões que completam os R$ 100 milhões.

Os documentos compilados pelas equipes compreendem o período de 2016 a 2018, iniciando na gestão Paulo Nobre e abrangendo até a atual com o presidente Maurício Galiotte.

O Palmeiras não comenta oficialmente o assunto, mas pessoas ligadas à cúpula alviverde confirmaram ao UOL Esporte o recebimento dos R$ 100 milhões em luvas do Esporte Interativo e defendem que o clube fez a sua própria negociação, não tendo qualquer relação com o imbróglio envolvendo os demais.

Esse é um ponto de consenso também entre os outros times, que não reclamam, em nenhum momento, da diretoria alviverde.

Questionado pela reportagem sobre o acordo com o Palmeiras, o EI afirmou não discutir sua relação com os clubes por meio da imprensa. Ainda negou que haja risco às transmissões de 2019 em razão da pressão dos demais clubes.

"A Turner cumpre integralmente os seus contratos e não tem nenhum receio de rompimento, estamos tranquilos quanto a isso e não precisamos fazer mea-culpa por qualquer razão. Faremos um Brasileirão como o torcedor nunca viu", disse a emissora.

Acordo para se 'defender' de Flamengo e Corinthians

Desde o princípio, fica claro nas discussões internas do Palmeiras a necessidade de se defender de Flamengo e Corinthians, que, segundo o ex-mandatário Paulo Nobre, passarão a faturar "um absurdo" com pay-per-view a partir de 2019 e, por isso, "tinha que se defender de alguma maneira".

Perguntado em uma reunião se a relação com a Rede Globo continuava boa, Nobre afirmou inicialmente que se encontrava "ótima" e não havia "nenhuma retaliação", mas ponderou que "o Palmeiras é um time muito grande para você estar rompido, o que pode por exemplo é no Globo Esporte não darem tanta atenção para o Palmeiras como vão dar para outros clubes".

O cartola deixou claro que esgotou as conversas com a Globo antes de selar o acordo com o Esporte Interativo.

"Vocês (Globo) foram a primeira televisão com quem conversamos, então entendam que da mesma maneira como vocês supervalorizam Corinthians e Flamengo pode ter uma televisão que queria nos supervalorizar também", afirmou, de acordo com trecho de ata do COF.

Na última semana, o Esporte Interativo realizou evento em São Paulo para o lançamento de seu pacote publicitário do Brasileiro de 2019 para o mercado.

Ao todo, a emissora, que pertence ao grupo americano Turner, tem sete equipes confirmadas na Série A em 2019: Palmeiras, Inter, Santos, Atlético-PR, Bahia, Fortaleza e Ceará. As outras 13 estão sob contrato com a Globo.

Por Marcus Alves
Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

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