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Grande Círculo pressiona presidente palmeirense, mas foge de polêmica de TV

Chico Silva

30/06/2019 12h17

Reprodução/SporTV

Maurício Galiotte esteve ontem à noite no centro do "Grande Círculo", programa de entrevistas do SporTV. Impossível não pensar no simbolismo na escolha do entrevistado. Presidente do Palmeiras, Galiotte esteve à frente das longas, por vezes tensas e complexas negociações de venda dos direitos de transmissão de TV aberta e pay per view do clube com o Grupo Globo. Entidade com maior faturamento do país, grande parte desse resultado creditado ao poderoso patrocínio da Crefisa e às expressivas receitas de bilheteria do Allianz Parque e do plano de sócios Avanti, o Palmeiras fez jogo duro com a Globo. Enquanto o imbróglio não se resolvia, o clube chegou a sofrer um inédito apagão midiático, com dois jogos sem transmissão nenhuma.

Tema complexo e delicado, a negociação entre Globo e Palmeiras passou quase despercebida no programa. Houve apenas uma pergunta direta sobre a questão feita pelo jornalista Erich Beting. Na resposta o mandatário palmeirense evitou o confronto e desviou o foco para necessidade dos clubes se unirem e negociar em conjunto propriedades e assuntos comuns. Nas perguntas que foram ao ar, não foi feita nenhuma menção ou referência, mesmo que indireta, à Turner. Ao entrar na concorrência pelos direitos na TV fechada, o grupo americano criou o ambiente para que o Palmeiras endurecesse as conversas com a emissora que por décadas reinou soberana no mercado brasileiro de direitos esportivos.

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Leila no centro do "Círculo" 

Enquanto a Turner era ignorada, Leila Pereira foi a grande "estrela" da entrevista. A dona da Crefisa, patrocinadora do clube, foi o principal assunto do programa. Ela dominou a primeira parte do "Grande Círculo" e foi citada em outras oportunidades durante a 1h14min da atração. Quando questionado sobre a influência de Leila na sua gestão, Galiotte fez questão de dizer que era ele quem "assinava tudo que cai na sua mesa em termos de contratação, contas a pagar, investimentos e etc". O recado era para os que afirmam que a patrocinadora financia e, na prática, manda no clube. Na sequência fez questão de reafirmar a importância de Leila para o Palmeiras, ressaltando que o apoio dela e do marido e sócio da empresa, José Roberto Lamacchia, é fundamental para a saúde financeira e crescimento do Palmeiras. Outro ponto delicado, e que diretamente envolve Leila Pereira, é a relação do atual com o ex-presidente do clube, Paulo Nobre. A patrocinadora foi a pivô do racha entre os dois. Citando nominalmente Leila, o comentarista Maurício Noriega perguntou se Galiotte ainda tinha alguma relação com seu antigo cabo eleitoral e se houve traição dele a Nobre. O presidente confirmou que não tem mais contato com o ex-dirigente e piloto de rally, mas negou que tenha traído o antigo aliado político.

Minutos depois o repórter Edgar Alencar voltou ao tema e tocou numa questão incômoda para o mandatário. Com uma controversa alteração estatutária, Leila foi eleita conselheira e com isso se tornou uma potencial candidata à presidência já na próxima eleição, que será disputada em 2021. A manobra foi vista como golpe pelos correligionários de Paulo Nobre. Alencar perguntou então se Galiotte via a patrocinadora como um bom nome à presidência do clube e se apoiaria a sua candidatura. Com certo constrangimento, o presidente confirmou que a via como o "melhor nome para o cargo", embora tenha advertido que o assunto é prematuro e o repórter estava "queimando a largada". Leila ainda não se pronunciou sobre a sua candidatura. Mas nos bastidores do clube o fato é tido como certo.

Convidado polêmico  

A controversa presença do presidente Jair Bolsonaro na cerimônia de entrega da taça do título brasileiro do ano passado recebeu atenção dos entrevistadores. Alencar questionou as razões do convite que dividiu a direita e a esquerda da torcida alviverde. O presidente afirmou que o chamou única e exclusivamente por ser "palmeirense apaixonado" e que a presença dele ali não tinha conotação política, tanto que caso Fernando Haddad, candidato derrotado por Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, fosse torcedor do clube também seria convidado. Logo a seguir, a repórter Gabriela Moreira o indagou sobre o incômodo que a presença dele causou entre os torcedores que não votaram ou não apoiam as ideias do chefe de estado brasileiro. Mais uma vez Galiotte tentou, sem muito sucesso, convencer a bancada de que a ida do presidente eleito ao Allianz Parque na última partida do Brasileiro de 2018 contra o Vitória não tinha nada de político ou ideológico.

O questionado título Mundial do Palmeiras de 1951 também não ficou fora. Ao ser perguntado pelo narrador Luiz Carlos Jr. sobre a oficialização da conquista pela Fifa e se incomodava o fato de ser o único dos grandes paulistas que não tem a taça, Galiotte respondeu que "o primeiro título mundial de todos os times do Brasil é do Palmeiras. É contestado por alguns, mas para quem conhece a história e o futebol não tem contestação. O que importa para nós palmeirenses é que o Palmeiras é campeão do mundo de 1951". A Fifa até hoje não reconhece a conquista em seu site oficial.  O presidente afirmou também que hoje se tornou muito difícil para um time brasileiro disputar o título em condições de igualdade com um europeu. "O desafio é muito grande. Mas vamos brigar". No balanço final foi uma entrevista que tocou em pontos nevrálgicos e polêmicos. Mas ao deixar quase de lado o tortuoso processo de negociações de direitos entre clube e emissora, revela que a relação deles vai muito bem obrigado.

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