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Chico Silva: os erros e acertos da TNT na largada do Brasileirão

Chico Silva

10/05/2019 04h00

Somando bola rolando, intervalo e pré-jogo, lá se foram 495 minutos de TNT no Brasileirão 2019. É o primeiro evento esportivo de abrangência nacional que a Turner, programadora dona do canal, transmite em sua história. Foram três jogos até aqui: a estreia entre Palmeiras x Fortaleza, o segundo jogo entre Fortaleza x Athletico-PR e Palmeiras x Internacional do sábado passado.

Dos sete times da Turner no Brasileirão, três ainda não apareceram na tela: Santos. Ceará e Bahia. UOL Esporte Vê TV faz agora um breve balanço do debut do grupo americano no primeiro escalão do futebol brasileiro. E é só o começo. Faltam 39 transmissões até 08 de dezembro, data da última rodada do primeiro dos cinco Brasileirões que a Turner levará ao ar com exclusividade na TV paga.

Pré-jogo funciona, mas formato torcedor fanático precisa de ajustes

As transmissões na TNT entram no ar uma hora antes do início do jogo. Nas redes sociais do Esporte Interativo, canal de esportes do grupo Turner que foi descontinuado em agosto passado, começam com até duas horas de antecedência, o que se viu no Palmeiras x Fortaleza. O tempo antes do apito inicial é preenchido com matérias especiais dos times que vão jogar, extensas conversas entre narradores e comentaristas; chamadas para os outros eventos e atrações do canal, como filmes e prêmios musicais, além de vídeos com os fanáticos, os torcedores de cada time que são a grande aposta da Turner nesse Brasileirão.

A ideia é interessante, mas precisa ser aprimorada. Os vídeos que alguns desses torcedores produzem com seus celulares precisariam ter no mínimo uma pré-produção ou padronização. O de Dudu Damasceno (Fortaleza), no jogo contra o Palmeiras, o de Fernando Oliveira (Furacão), na partida contra o Fortaleza, e de Lucas Frotinha (Palmeiras), no embate contra o Inter, tinham baixa qualidade, luz estourada e áudio irregular.

Talvez fosse o caso de oferecer um cursinho básico de produção e edição para cada um deles. Não precisaria ser nada muito elaborado, pois a ideia é manter a informalidade e a espontaneidade do torcedor no calor do evento. Mas uma coisa é postar esse material em uma rede social para ser visualizado em telas de 5 ou 6 polegadas de um celular. Outra é num canal que vai ao ar para ser assistido em telonas de 50 ou mais polegadas com resolução de 4K e, agora, até 8K.

Equipe 1: sem contratações, há risco de sobrecarga

Fábio Medeiros, VP de Esportes Latam da Turner, disse em entrevista ao UOL Esporte que a equipe do canal receberia reforços antes do início do campeonato. Até o jogo do sábado passado, a única contratação foi a do ex-árbitro Péricles Bassols, novo comentarista de arbitragem do canal. O restante da equipe é a mesma do extinto Esporte Interativo. Os profissionais que até agora participaram das jornadas foram:

Narradores

  • André Henning (Palmeiras x Fortaleza e Palmeiras x Internacional)
  • Jorge Iggor: Fortaleza x Athlelico-PR

Comentaristas

  • Mauro Betting
  • Vitor Sérgio Rodrigues
  • Bruno Formiga
  • Alê Oliveira

Repórteres

  • Rodrigo Fragoso
  • Monique Danello
  • Aline Nastari
  • Apresentadores
  • Taynah Espinoza
  • Luís Felipe Freitas

Na semana passada, Jorge Iggor narrou o jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões, entre Tottenham e Ajax, na terça-feira, do estúdio. No dia seguinte, lá estava ele na capital cearense para o confronto entre o Fortaleza e o Rubro-Negro paranaense. Vítor Sérgio Rodrigues também fez a mesma jornada dupla.

Mas nada comparado ao hat-trick do repórter Felipe Fragoso. Ele foi o único profissional que participou das três transmissões da TNT até agora. Cobriu Palmeiras nas duas partidas e, entre uma e outra, deu um "pulinho" em Fortaleza, onde atuou nas reportagens do time da casa contra o Furacão. Na entrevista, Medeiros disse em tom de brincadeira que os repórteres só voltariam para casa em dezembro. Pelo jeito, ao menos no caso de Fragoso, a brincadeira está sendo levada bem a sério.

Equipe 2: o risco do "mais do mesmo"

Há anos detentora dos direitos da Champions League para TV paga, a Turner implantou no Brasileirão algumas ideias e conceitos aplicados nas transmissões do principal torneio de clubes da Europa. Isso é motivo de orgulho para os profissionais da casa. André Henning faz questão de ressaltar durante os jogos "que a cobertura é de Champions".

O principal atrativo é a presença de uma equipe no gramado, incluindo um comentarista, algo que o canal costuma fazer nas finais da liga europeia. No Brasileirão, até agora, a TNT escalou um apresentador e um comentarista na área quente. Mauro Betting na estreia, Bruno Formiga no segundo jogo e Alê Oliveira no embate entre paulistas e gaúchos, foram ao campo.

É uma diferença marcante em relação ao que se vê em outras emissoras, como a Globo, que utilizam o formato narrador + comentaristas na cabine. O Sportv faz isso em ocasiões especiais, como na final da Libertadores de 2017, com Roger Flores direto do gramado na conquista do Grêmio sobre o argentino Lanus.

Outro ponto é o perfil dos profissionais. Enquanto Globo e SporTV contam com ex-jogadores, a TNT não tem nenhum boleiro nos microfones. Com isso há sempre o risco de colocar lado a lado comentaristas com, digamos, abordagens parecidas. Isso acontece quando Betting, Rodrigues e Formiga dividem a função.

Já com Oliveira, a sensação de mais do mesmo é menor, pois ele traz consigo o humor e irreverência que fizeram sua fama, além da experiência de já ter estado do outro lado do balcão: antes de ficar notório pelas piadas e decretos, o comentarista foi treinador de futsal. Prova do carisma de Oliveira é que no jogo de sábado foi alvo de brincadeiras do javali Gobatto, mascote do Palmeiras, e até de Felipe Melo, que após um lance apontou para ele atrás do gol em que comentava a partida.

Na entrevista depois do jogo o comentarista quis saber do volante qual a razão daquela deferência. Melo disse que se fizesse o gol daria uma "voadora com carinho nele para comemorar. Tá com moral comigo, hein?", disse o jogador no Último Lance, programa pós-rodada do canal.

Gráficos simplórios e Athletico alvinegro

O ponto negativo nos primeiros jogos foram os gráficos do placar, simplórios. No segundo jogo, inclusive, houve uma falha grave. O escudo do Athletico perdeu o vermelho que caracteriza o inconfundível rubro-negro para se tornar alvinegro. Na tela, foi exibido um irreconhecível símbolo em preto e branco. O problema não foi corrigido até o apito final.

Sobre o Blog

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