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Telefone em papel: Repórter da ESPN relembra "xaveco" de Amy Winehouse

UOL Esporte

10/08/2018 04h04

Imagem: Arquivo Pessoal

Qual o valor histórico de um guardanapo? E se nele uma artista que alcançou sucesso mundial tiver escrito nome e número de telefone de próprio punho? O caso envolveu João Castelo-Branco, correspondente da ESPN Brasil na Inglaterra e Amy Winehouse, uma das vozes mais brilhantes da sua geração que morreu em 2011, após anos de dependência química e alcoólica.

Castelo-Branco se mudou para Londres em 1989, aos 10 anos, com a mãe, Renee, então casada com Pedro Bial e na época enviado à capital inglesa pela TV Globo. Com a família estabelecida em Camden Town, bairro alternativo e boêmio, João passou a adolescência na região e só se mudou de lá para cursar a faculdade. Na volta, testemunhou o salto de Amy: de sensação no bairro na zona norte da cidade ao status de estrela global, vencedora de cinco prêmios Grammy.

Foi exatamente neste período de transição que os caminhos de João Castelo-Branco e Amy Winehouse se cruzaram. "Eu frequentava muito os pubs do bairro antes do nascimento da minha primeira filha, em 2007", conta ao UOL Esporte. Em uma noite de dia de semana, relativamente vazia em comparação às sextas e sábados, ele jogava sinuca acompanhado de amigos no The Good Mixer, um dos bares mais tradicionais da área. Amy entrou no local visivelmente alterada e pediu para participar da partida. Sem condições motoras e de coordenação para jogar bilhar, foi auxiliada, então, por Castelo-Branco.

"Busquei um copo de água, mas quando levei para ela, ela percebeu que não era bebida alcoólica e, por isso, jogou no chão, quebrando o copo", relata. Na sequência, os presentes pediram um táxi e ajudaram a cantora a chegar em casa. "Ela era conhecida no bar, o rosto também não era estranho para mim, mas meus amigos e eu ainda não sabíamos quem era direito. Ela era simpática, engraçada e tinha uma presença impactante no ambiente".

Imagem: Ian Gavan/Getty Images

A partir de então, o jornalista passou a prestar mais atenção na trajetória de Amy – até que aconteceu um reencontro meses depois, em um restaurante brasileiro de Camden Town, o Made in Brazil. "Ela estava jantando na parte de trás, acompanhado de um homem, mas virada para o bar, onde me viu conversando com o dono do restaurante".

Na sequência, a artista tomou a iniciativa. "No meio do jantar, ela se aproximou do bar e começou a trocar uma ideia comigo e com o barman. Aí eu sabia quem ela era, mas ela ainda não tinha explodido para o mundo inteiro. Conversamos, nos reconhecemos, e digamos que ela me deu umas olhadas instigantes".

Engatado no namoro com a atual esposa Scarlet, com quem tem duas filhas, João diz que não correspondeu ao flerte. Mesmo assim, Amy insistiu. "Ela depois voltou ao bar e pediu ao garçom que me entregasse o guardanapo onde ela tinha escrito o nome dela e o telefone", acrescenta. "Depois disso fui acompanhando a carreira dela, o sucesso gigantesco que ela alcançou, e de olho no guardanapo, que acabei perdendo".

Em 23 de julho de 2011, Amy foi encontrada morta na mansão dela, em Camden Town, que até hoje recebe visita de fãs, com mensagens deixadas nos muros e na praça em frente da residência. Em 2014, o Stables Market, famoso mercado céu aberto da região, ganhou uma estátua da cantora.

"No fundo ela era uma pessoa normal, uma de nós ali em Camden. Tínhamos orgulho da menina do bairro. Era uma pessoa do bem".

Caio Carrieri
Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

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