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Como o Esporte Interativo saiu do ostracismo, incomodou a Globo e caiu

UOL Esporte

10/08/2018 04h00

Movido por sonhos. Essa foi a frase usada como lema pelo Esporte Interativo nos pouco mais de 11 anos em que esteve no ar. Da primeira transmissão, praticamente amadora, à decisão de Liga dos Campeões, foi esse o percurso do canal até uma das maiores derrotas de sua trajetória. Como os que ficaram fizeram questão de ressaltar, não é um fim, mas é um golpe duro, uma queda para os fãs da "Lampions League", como popularmente ficou conhecida a Copa do Nordeste, e para as centenas de funcionários que se despediram do sonho, na última quinta-feira.

A partir da próxima semana, o "novo Esporte Interativo" começa a ser construído. Não mais um canal na TV paga – a emissora seguirá 40 dias de uma forma "fantasma" nas operadoras -, mas em parceria com a TNT e Space, além das mídias sociais, local em que o canal sempre se destacou e onde terá a oportunidade de transmitir a Liga dos Campeões, em acordo inédito com o Facebook.

Talvez o recomeço, sob a tutela da AT&T, que se fundiu com a Turner, não seja tão sofrido como o ano de 2007, quando foram iniciados os trabalhos. Foi em um Liverpool e Chelsea, há 11 anos, que o canal colocou sua primeira transmissão no ar. Quando o movimento ousado começou, "Não tinha nada além de colocar a TV no ar. Não tinha objetivo, pelo menos em nossa cabeça" como disse André Henning, principal narrador da emissora e que seguirá para o novo projeto.

De lá para cá, o Esporte Interativo cresceu. A empresa saiu de uma produtora com transmissões problemáticas para estúdios no Rio de Janeiro e São Paulo, que permitiram à emissora sonhar mais alto. Foi assim que o próprio narrador fez pessoas se emocionarem no título mundial de handebol de 2013, um feito inédito para o esporte brasileiro.

Um ano depois, o movimento mais ousado de sua trajetória: a compra dos direitos de transmissão da Liga dos Campeões. O maior torneio de clubes do mundo já não teria a ESPN como sua casa. Depois da conquista, um novo obstáculo: entrar nas TVs por assinatura.

A estreia da Liga aconteceu no segundo semestre de 2014 e o Esporte Interativo, ainda fora das principais operadoras, teve de apelar, justamente, para o que será seu futuro: transmitir jogos no Space e TNT. Na sequência, o canal entrou na NET e, em seguida, já na fase mata-mata do campeonato, o canal conseguiu espaço na Sky.

Há dois anos, mais uma vez o Esporte Interativo surpreendeu o mercado ao fechar com alguns clubes os direitos do Campeonato Brasileiro. O contato, firmado por seis temporadas, ainda não estreou na programação, iniciará a partir de 2019. Com a nova movimentação, assim como a Liga dos Campeões, os jogos irão para TNT e Space seguindo o projeto desenhado pela AT&T.

Assim como em 2007, quando alguns choraram na primeira transmissão, hoje, outros tantos voltaram a chorar com a pausa do sonho.

Leandro Carneiro
Do UOL, em São Paulo

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