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De cinegrafista a repórter: mulheres conquistam espaço em sonho da Copa

UOL Esporte

29/05/2018 04h50

A cobertura de uma Copa do Mundo é o sonho da grande maioria dos jornalistas esportivos, já que significa o auge da carreira pela grandeza e importância do evento. Esse é o caso de quatro mulheres, que ganharam espaço em um meio predominantemente masculino para desempenharem papéis importantes na Rússia.

Foram quatro anos de trabalho árduo. Enquanto fazia a cobertura diária do Flamengo, a repórter Monique Danello, do "Esporte Interativo", também reservava um tempo para ficar de olho em todos os assuntos relacionados ao Mundial e nos jogadores da seleção brasileira. Quando ficou sabendo que ia para a Copa, ela se sentiu como um dos jogadores convocados pelo técnico Tite.

"Comecei a equilibrar as coisas para entender mais sobre a Rússia, que é um país diferente, como seria uma Copa lá… E sempre acompanhei os jogadores da seleção, a temporada deles, para chegar aqui (na Granja Comary) preparada quando mergulhasse no dia-a-dia para a Copa", disse a jornalista, que é uma das únicas mulheres na cobertura da seleção brasileira, em entrevista ao UOL Esporte.

"Desde que comecei a fazer mais coisas com a seleção, sempre comentava que é um ambiente muito masculino, até diferente do que encontro no dia-a-dia do Flamengo. Na Copa América, por exemplo, se não me engano era a única mulher na cobertura no vídeo. Acaba sendo um desafio diário também. Hoje me conhecem mais, mas talvez naquelas coberturas, precisava provar alguma coisa. Eu tento estudar cada vez mais, me dedicar, para poder corresponder o que esperam de mim, independente de ser mulher ou homem", acrescentou Monique.

A cinegrafista Carolina Albuquerque fará dupla com Monique na cobertura da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Segundo a profissional do "Esporte Interativo", a credibilidade do trabalho realizado foi um dos principais fatores para a conquista de chegar à Copa.

"Antes de mais, vejo a confiança que depositaram em nós como um sinal de que temos realizado as coisas bem feitas até aqui. Cobrir a seleção brasileira, talvez a favorita a vencer a prova, exige uma dedicação absoluta no trabalho, e esse é o compromisso que assumimos. Creio que é isso que todos esperam de nós, além é claro de que possamos viver tudo com verdadeira emoção", disse Carolina.

Natalie Gedra, da "ESPN Brasil", não para de acumular experiências dignas de sonho. Dias depois de cobrir a final da Liga dos Campeões diretamente de Kiev, na Ucrânia, a repórter se prepara para acompanhar a Copa do Mundo nas cidades-sede de Moscou, Samara e Kaliningrado.

"Sempre quando vou fazer qualquer evento gosto de preparar um guia e estudar. É o que estou fazendo no momento, estudando todas as seleções, as sedes e as particularidades sobre a Rússia", disse ao UOL a jornalista, dona de um currículo admirável.

A expectativa de trabalhar ao lado de outras mulheres é maior do que qualquer ideia de concorrência entre as emissoras. "As mulheres e todos os profissionais do meio tem que estar sempre muito unidos. Me dou bem com todos os correspondentes e, com certeza, estaremos unidos", afirmou Natalie.

Em sua primeira cobertura de Copa do Mundo in loco, a repórter da "TV Globo" Julia Guimarães terá várias funções durante a competição e será auxiliada por uma produtora russa.

"Eu vou para Ecaterimburgo e vou ficar só nessa cidade. Vou cobrir os jogos que acontecerão lá. Eu que vou filmar, eu que vou produzir, editar e enviar o material para o Brasil. Lá vou ter uma produtora que é russa e que fala português, o que me ajuda bastante. E ela vai me ajudar com tudo, transporte, comunicação", contou.

REALIZAÇÃO DE UM SONHO

A cinegrafista Carolina Albuquerque, do Esporte Interativo, será parceira de Monique Danello

"É uma realização profissional e pessoal muito grande. Quando comecei a trabalhar com o jornalismo esportivo, esse certamente era um dos meus sonhos. Hoje estou no auge da minha carreira, é a realização de um sonho. A gente trabalha para isso, igual os jogadores trabalham para serem convocados. É uma lista seleta do Tite e acho que dentro dos veículos de comunicação também é. A cobertura diária do Flamengo com certeza me ajudou muito, porque é um clube grande de muita importância" – Monique Danello.

"É o sonho de qualquer pessoa que trabalha na área esportiva.. Eu me sinto uma privilegiada por poder fazer parte e acompanhar de tão perto a maior competição de futebol do mundo. Eu não imaginava isto há 3,4,5 anos atrás. Mas o futuro sempre nos reserva surpresas, e no meu caso, elas não poderiam ser tão boas! Vamos com tudo, e, com sorte, trazemos ainda a taça!" – Carolina Albuquerque

"Cobrir uma Copa in loco é o sonho de todo o jornalista esportivo, de todo mundo que ama essa profissão. Já tinha esse sonho quando eu tinha 12 anos. É o sentimento de realização total, porque é o que eu sempre quis. Quando eu vi meu nome divulgado na lista das pessoas que iriam fazer essa cobertura, a ficha demorou para cair, recebi do meu chefe uma mensagem de parabéns em russo e demorei para entender. Desde daquele dia é até difícil de acreditar que eu estou em uma cobertura com tantos profissionais que eu me inspiro, acompanho, vou ter a oportunidade de estar perto. Eu vou para a minha primeira Copa e espero que seja a primeira de muitas" – Julia Guimarães

RECEIOS COM A RÚSSIA

Repórter da TV Globo, Julia Guimarães fará sua primeira cobertura de Copa do Mundo

"Eu e a Carol a gente conversa que vai ser uma aventura. Ela já tem uma mínima noção, entende como funciona algumas situações de transporte, comunicação, alimentação. Eu estou curiosa, porque vai ser difícil de se comunicar, porque as pessoas não falam inglês. Tenho um guia com algumas frases em russo, para caso eu precise, consiga me comunicar. Acho que estou ansiosa com essas coisas. Esse é um lado interessante, uma parte cultural muito diferente" – Monique Danello.

"Várias pessoas me aconselharam cuidado, principalmente na rua durante a noite. A verdade é que nunca me senti de alguma forma receosa em relação a isso. Já estive na Rússia, durante o sorteio da Copa, e em nenhum momento sofri qualquer tipo de problema, tirando a comunicação que é realmente complicada uma vez que quase nenhum russo fala inglês. Espero regressar com uma opinião ainda melhor do país e das pessoas, confio que não teremos problemas" – Carolina Albuquerque.

"Receio eu não tenho. Eu não sei se é porque eu nunca sofri com machismo no meu ambiente de trabalho… Eu sei que acontece muito. Mas eu nunca sofri nada, absolutamente nada. Mas se eu tivesse completamente sozinha, talvez poderia ter. mas eu vou ter uma companhia. O clima de Copa é muito diferente de energia. As pessoas ficam tão vidradas com o ambiente, o espetáculo, que transformar tudo. Acho que o clima não vai ser ruim com os russos não" – Julia Guimarães.

"Todos os russos e russas que já conheci sempre foram muito gentis e se mostraram muito felizes em receber a Copa do Mundo. Eles parecem muito empolgados e preocupados em causar uma boa impressão, por isso não pensei muito neste aspecto. Espero que não tenha problemas nesse sentido, até porque as experiências que tive com quem é do país sempre foram muito boas" – Natalie Gedra.

Beatriz Cesarini
Do UOL, em São Paulo

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