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Casagrande relembra vício em drogas: 'Cheguei a usar em véspera de jogo'

UOL Esporte

20/05/2018 23h35

(Crédito: Rede Globo/Reprodução)

Em entrevista divulgada neste domingo pelo programa Fantástico, da Rede Globo, Walter Casagrande Júnior relatou sua trajetória como usuário de drogas, iniciada ainda como jogador do Corinthians. Hoje comentarista da própria emissora, Casagrande foi internado em uma clínica de reabilitação após um acidente automobilístico sofrido sob efeito de substâncias cocaína e medicamentos em setembro de 2007.

A primeira experiência, segundo ele, veio como uma válvula de escape após a morte da irmã. Casão tinha 15 anos quando Zilda, aos 23 anos, sofreu um infarto fulminante.

"Foi um baque muito forte, eu engoli. Porque eu vi o sofrimento da minha mãe e do meu pai e falei: 'Não posso demonstrar o sofrimento também'. Carreguei isso para a vida. Claro que as memórias dela vinham e me pegavam. Quando eu conheci a cocaína, parou. Eu parei de sofrer com a memória dela", contou. Já jogador, usaria a droga pela primeira vez no começo dos anos 1980.

"Foi em 1982 mesmo, foi em um show do Peter Frampton no Corinthians. Eu conheci a cocaína naquele dia. (A sensação foi) maravilhosa, aquela que a cocaína ia dar mesmo. Você se sente poderoso, se acha mais culto, mais inteligente do que você realmente é", descreveu.

Nos anos seguintes, Casagrande passaria por São Paulo, Porto (Portugal), Ascoli, Torino (ambos da Itália) e Flamengo, antes de voltar ao Corinthians em 1994. Aposentado desde o início de 1996, diz ter usado drogas de forma recreativa durante todo esse período.

"Eu usava maconha, cocaína na semana. Até cheguei a usar em véspera de jogo", contou ele, que passou a viver uma situação mais delicada "a partir de 1998", após a aposentadoria dos gramados. "Veio o vazio do vício da adrenalina de se jogar futebol. Não tem nenhuma coisa no mundo que dá a mesma sensação de prazer que um gol em um jogo importante; O pico do prazer vai lá em cima e volta. Isso aí vicia", comparou.

A situação foi piorando até 2005, quando sofreu uma overdose perto do filho Leonardo, então com 16 anos. Por conta disso, divorciou-se.

"Ali eu assinei: sou dependente químico compulsivo. Porque não é possível você fazer isso na frente de um filho, cara. Não é possível", descreveu, relembrando os piores momentos do uso da droga. "Eu comecei a ter visões, surto psicótico. Comecei a ver demônios dentro do meu apartamento. Não dava para ver totalmente o rosto. O sofá murchava, como se alguém sentasse, e apareciam duas garras nas pontas do sofá."

Em setembro de 2007, após misturar cocaína com remédios, o comentarista sofreu um acidente de carro em São Paulo e foi hospitalizado com politraumatismo. Na sequência, foi internado em uma clínica de reabilitação com a autorização da família.

"Meu filho (Victor, então com 21 anos) assinou a responsabilidade da internação, porque era involuntário. Eu não escolhi para vir", relembrou Casagrande. "Mesmo estando mal, estourado, sem comer, sem beber água, magro, eu achava que estava tudo certo", contou.

Desde seu processo de reabilitação, Casagrande cuida para não voltar ao vício. "Se eu não tiver um amigo para sair, eu saio com a psicóloga. Me sentir sozinho ou cair na solidão é uma estrada rápida para a recaída", afirmou o comentarista, que diz temer ocasiões – ainda que hipotéticas em que possa reencontrar a droga. "Quando eu entrou no banheiro e tem um cara na pia cheirando cocaína. Ele virar e diz: quer? Essa é a cena que eu imagino com maior risco para mim. Se der uma vontade de ir ao banheiro, eu pago a conta e vou para casa", assegura.

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