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Como um banquinho fez correspondente do EI cair nas graças de madrilenhos

UOL Esporte

25/02/2018 04h00

Arquivo Pessoal/Tatiana Mantovani

De Carlos Barbosa, a terra do futsal no Rio Grande do Sul, para Madri, na Espanha. Assim se deu a trajetória da gaúcha Tatiana Mantovani, desde 2016 correspondente dos canais Esporte Interativo na cobertura dos times da capital espanhola. Mas o que poucos sabem é que a competente profissional conta com uma arma infalível para fazer sucesso por lá com boleiros e treinadores: um banquinho.

“Ser correspondente é saber se adaptar às situações. Como o pessoal que me segue nas redes sociais sabe, eu sou baixinha. Não revelo a minha altura, mas sou baixinha sim, e em muitos momentos preciso entrevistar jogadores com quase 1,90 m ou mais. Por isso resolvi comprar um desses banquinhos para as crianças escovarem os dentes, mesmo. Virou a minha marca”, conta, aos risos, sobre o artifício usado diante de atletas altos e que chega até a facilitar seu trabalho.

“O banquinho quebra o gelo, o pessoal já começa a entrevista com um sorriso no rosto e isso faz toda a diferença. Zidane, Simeone, Filipe Luís, quase todos já riram do banquinho. Keylor Navas e Casemiro já tentaram subir nele, e toda vez que entrevisto o Marcelo, ele pergunta pelo banco”, relata.

Arquivo Pessoal/Tatiana Mantovani

Mas a história da Tati vai muito além do banquinho famoso. “Sou gaúcha, de Carlos Barbosa, formada na Famecos, a Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Passei por diferentes meios de comunicação, entre eles a Rádio Gaúcha, onde me formei mesmo como jornalista. Durante meus 5 anos lá, fui produtora de vários programas e tive o prazer de trabalhar com grandes nomes, como Lauro Quadros e Rui Carlos Ostermann”, recorda ela, que no início chegou a evitar trabalhar com futebol, apesar da paixão que tem pelo esporte, incentivada pelo pai, Rui Mantovani.

“Desde muito pequena acompanhava o time da cidade, a minha ACBF (Associação Carlos Barbosa de Futsal), que ainda assisto aos jogos quando posso. Meu pai gosta muito de futebol e acabei me apaixonando, também. Quando criança, gostava de jogar e assistir futebol, mas lá no sul todo mundo tem um time, ou você é colorado ou gremista, e eu achava complicado separar a paixão da profissão, por isso preferi não trabalhar com esporte no começo. Hoje vejo que foi um erro, trabalhar com o que te apaixona só faz com que você possa ser um profissional ainda melhor. Ainda bem que a vida me levou a corrigir esse erro”, diz.

Como foi parar na Espanha

Arquivo Pessoal/Tatiana Mantovani

Foi inicialmente como estudante que Tatiane chegou pela primeira vez à Espanha. “Foi em 2009. Vim com visto de estudante, fiz um Master (mestrado) e trabalhei na rádio Caderna Ser”, relembra. A jornalista retornou ao Brasil, mas logo já estava novamente de volta ao país europeu, só que dessa vez para ali morar de forma definitiva. “Tenho a cidadania italiana. Desde 2011 até 2016, trabalhei em diferentes empresas e colaborei com vários meios de comunicação, entre eles a revista Placar, escrevendo reportagens sobre Simeone quando o Atlético de Madri começou a crescer, e também sobre o trio MSN, quando Messi, Suárez e Neymar estavam juntos no Barcelona. Também criei o meu blog, o efeitofuria.com.br, onde escrevo sobre futebol espanhol” explica.

Chegada ao Esporte Interativo

No início de 2016, o Esporte Interativo procurava alguém para acompanhar os clubes de Madri. Foi por indicação do colega correspondente na Espanha, Marcelo Bechler, responsável pela cobertura do EI em Barcelona, que o nome de Tatiana chegou ao canal.

“Passei por um processo de seleção, e eles resolveram apostar em mim, mesmo eu não tendo experiência em TV. Minha formação foi mais em rádio e impresso. Mas como digo sempre: se você tem experiência em rádio, tem experiência em tudo e é mais fácil se adaptar aos outros meios”, avalia.

“Dei muita sorte, porque já nos primeiros meses de TV os dois clubes de Madri foram para a final da Champions e eu tive que pegar o ritmo muito rápido, acho que consegui. O pessoal gostou do meu trabalho e sigo até hoje”, comemora.

O trabalho de correspondente

Não é fácil. Ser correspondente internacional exige que o repórter tenha que cuidar de várias tarefas para a realização do seu trabalho, mas Tati não reclama. Ao contrário, se diz satisfeita.

“É um trabalho incrível, mas você precisar estar preparado. A gente faz tudo sozinho, carrega equipamento, grava, edita e é repórter. É corrido, mas quando a gente faz o que gosta, leva tudo de uma forma diferente”, define.

A corresponde conta, ainda, sobre a rotina de trabalho dela em Madri. “Por aqui é bastante variada, como é a vida de um repórter em todos os lugares, porém na Europa os clubes são mais fechados, o acompanhamento de treinos só é possível na prévia dos jogos e apenas 15 minutos são liberados para o trabalho da impressa. Entrevistas coletivas também, só na prévia dos jogos e só com o técnico. Em dias que não temos treino e coletiva, a gente se vira para correr atrás da notícia, encontrar histórias interessantes. O importante é passar para o público brasileiro a realidade daqui e manter o telespectador sempre informado.”

Só que em semanas de transmissões da Liga dos Campeões essa rotina muda. “É bem diferente, a gente praticamente trabalha dois dias sem parar. Na prévia, temos coletivas, treinos e muitas entradas ao vivo e no dia do jogo somos os primeiros a entrar no estádio e os últimos em sair.”

E Tati compartilha o seu sentimento, a emoção que é para ela trabalhar na prestigiada competição europeia. “Cobrir a Champions é algo que todo jornalista esportivo sonha, e tem que sonhar mesmo. Eu me emociono todo jogo. Cada vez que escuto aquela musiquinha, paro um segundo para olhar bem em voltar e é nesse momento que a ficha cai: é a Champions, é incrível.”

Para a repórter, o projeto do Esporte Interativo, de contar com correspondentes in loco nas principais praças da Europa, foi um grande acerto. “Hoje, a gente tem uma relação mais aberta com os clubes e com os jogadores, graças ao fato de estarmos aqui todos, acompanhando os times todos os dias. O público do Brasil que gosta de futebol europeu é quem ganha no final de tudo. E para mim esse é o grande objetivo: levar para o pessoal daí o que se vive aqui, mas com os nossos olhos”, afirma.

Em casa, em Madri

Arquivo Pessoal/Tatiana Mantovani

Por fim, Tatiana falou sobre o seu amor pela capital espanhola.

“Madri é uma cidade incrível, pela qual me apaixonei desde a primeira vez que vim para cá. Acho que tem gente que nasce no ‘seu lugar’ e gente, como eu, que tem a sorte de encontrar o ‘seu lugar’. Eu e Madri nos encontramos”, define.

E também sobre a sua relação com o Real e o Atlético. “Tenho o privilégio de viver aqui e acompanhar dois clubes incríveis, com personagens que fazem parte da história do futebol. Muitos me perguntam para quem eu torço. Eu torço para os dois. Admiro a grandeza do Real Madrid, a simplicidade do Zidane, a força do Simeone e a bravura do Atleti. Visto as duas camisas”, garante.

“Estou vivendo o melhor momento do futebol madrilenho. Foram duas finais de Champions entre as minhas duas equipes, mais a final do ano passado entre Juventus e Real Madrid. Dei sorte de estar no lugar certo, na hora certa”, celebra.

Rogerio Jovaneli
Do UOL, em São Paulo

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