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Galvão detona brigas em São Januário: "Não chamo esses vândalos e bandidos de torcedores"

UOL Esporte

10/07/2017 23h14

Reprodução/SporTV

Galvão Bueno fez desabafo na noite desta segunda (10) por conta dos graves incidentes de violência do último sábado (8) no estádio São Januário, no Rio de Janeiro, durante o clássico Vasco e Flamengo, que terminou com brigas, arremesso de bombas no gramado, torcedores baleados e um deles morto, alvejado com um tiro no peito.

“O futebol brasileiro está passando por um momento muito sério. E não é de técnico que tem mais ou menos idade, não é porque há dois dias se completaram três anos daquele 7 a 1, não é nada disso, é um problema muito mais sério que tem que ser tratado com muita seriedade. Eu não chamo e não admito que ninguém chame esses vândalos, bandidos de torcedores, porque eles não são. Eles não são torcedores de futebol”, detonou, em discurso inicial na abertura do Bem, Amigos!.

“Acho que foram seis bombas caseiras que acabaram detonando tudo. Como é que entra essa bomba?”, indignou-se o comandante do programa. “Quem é o responsável pela vistoria? É a Polícia Militar, é o segurança do clube contratado? Como é que funciona isso, como é que pode entrar?”, questionou Galvão.

E Galvão seguiu criticando fortemente os acontecimentos, não só os de São Januário, com direito a longo discurso.

Confira na íntegra o desabafo de Galvão Bueno

“São vândalos, são bandidos, são marginais, travestidos de torcedores, usando a camisa de um clube, porque torcedores de clube não são, isso em hipótese alguma. Quero deixar claro de que não é uma questão do jogo de ontem, de São Januário, não é uma questão de bandidos vestidos com o uniforme do Vasco. A coisa vai muito mais além, se espalha pelo Brasil e é um momento de muita seriedade e de grande preocupação.

Estamos diante de um momento especialmente delicado e perigosíssimo no futebol brasileiro. Antes fosse uma derrota em campo da seleção, do meu time, do seu time, não é. Nesse ano, todos nós nos envergonhamos do que vimos em São Januário. Vasco e Flamengo, o clássico dos milhões, virou o clássico dos rojões. 

A paixão pelo time virou desespero para salvar a vida. Do lado de fora, uma morte. Também no sábado, no Beira-Rio, houve um conflito entre a brigada militar e torcedores do Internacional, porque o time empatou em casa com o Criciúma. Domingo retrasado, em Belém, dois marginais vieram numa moto, de rosto coberto, pararam o carro do presidente do Paysandu, intimidaram o presidente com um revólver e disseram que se o Paysandu cair para a (Série) C, ‘nós matamos você e esse maluco aqui’. Gente, o maluco é uma criança adorável, amada, um autista. Ele (o presidente) renunciou. O que mais ele tinha para fazer depois de uma cena dessa?

Há pouco tempo foi em Goiás, há poucos meses foi na frente do estádio Nilton Santos, também no Rio. Selvageria, ódio, vandalismo, violência, palavras que não rimam com futebol. Eu não posso aceitar que tenha trabalhado 43 anos me comunicando e dividindo emoções com esse tipo de gente, marginais, vândalos e, acima de tudo, covardes, porque só são fortes quando estão em maioria. Eu e qualquer outro comunicador não podemos chamá-los de torcedores, porque eles não torcem, eles distorcem tudo de bom que o esporte trás para a sociedade. Repito sempre que esporte é comunhão, é alegria, é tristeza, é vitória, é derrota, é uma lição de vida a cada partida. Eu me nego a chamar de torcedores quem no estádio se arma para ferir, machucar, para matar.

Em vários clubes, dirigentes de oposição, de situação usam torcida para interesse próprio, e isso não é novo, não, no futebol brasileiro. Manipulam e incentivam o caos para colher os frutos lá na frente, mas que frutos são esses? É um fruto podre, contaminado. O que eles querem, estádios vazios? O som do vento durante um gol? Todos precisam ajudar e colaborar, todos. De que adianta proibir uma torcida organizada? As bandeiras, as camisas da torcida ficam na sede, não entram, mas o integrante que só quer baderna vai passando pela roleta, vai carregando o seu ódio irracional para dentro do estádio, vai carregando a bomba caseira.

Que a tecnologia seja usada para o cumprimento da lei, que os torcedores verdadeiros sufoquem os covardes, que a polícia haja com mais rigor, rigor de inteligência, não de violência, e que a justiça seja implacável, que o exemplo venha de cima, começando dos que me representam lá em cima. Tá difícil, também. Passando por jogadores, torcedores, dirigentes, jornalistas. O futebol que nós, vocês aí amamos tanto, ele é nosso. Não é deles, não. Precisamos de providências urgentes e lembrar que a lei do futebol vai até um certo limite. Depois, é civil, criminal, é um outro tipo de justiça que tem que ser empregada.”

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