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Paulo Calçade, da ESPN, vira treinador por uma semana. E conta como foi

UOL Esporte

05/05/2017 04h56

(Crédito: ESPN Brasil/Futebol)

Paulo Calçade, um dos principais comentaristas da ESPN Brasil, foi, por uma semana, treinador de futebol. Comandou o Brasilis Futebol Clube, clube-empresa pertencente a Oscar Bernardi, ex-zagueiro da Ponte Preta, São Paulo e da seleção brasileira. Em entrevista ao UOL Esporte, Calçade contou sobre a experiência que será levada ao ar a partir da próxima terça (9) no telejornal no SportsCenter 1ª edição.

O jornalista revelou sobre como foi o contato com jovens atletas, dois deles ex-companheiros de Gabriel Jesus no Palmeiras, sobre os treinos que ministrou, preleção e do dia do jogo. Sim, o comentarista comandou a equipe de Águas de Lindoia na estreia na quarta divisão paulista (chamada de “Segunda Divisão” pela FPF, abaixo das Séries A1, A2 e A3) contra o Jaguariúna FC.

“O Marcelo (Gomes, repórter da emissora, roteirista da série, intitulada ‘De comentarista a Professor’) me perguntou se eu topava, eu topei, e a produção saiu em busca de um clube que topasse fazer, porque teria que comprar a ideia. Fui para o Brasilis, eles contataram o Oscar. Fiquei preocupado no início, porque é uma responsabilidade, não é uma brincadeira. Por mais que seja um programa de televisão, um programa sério, mas eu estou mexendo com as realidades, os sonhos de muitos garotos até 22, 23 anos”, declarou Calçade.

Confira, a seguir, os principais assuntos abordados na entrevista:

O trabalho

“Eu busco há muitos anos, há algumas décadas entender qual é a realidade do futebol, o que me motiva é mergulhar na realidade. Eu fui pra lá sabendo o que poderia fazer em quatro dias, treinei o time de terça a sexta, no sábado eu fiz uma palestra e no domingo eu fui para o campo com o treinador, que é o Juarez Sobreiro. Sabia muito bem onde mexer para não atrapalhar. Eu mexi no alicerce, eu não bolei um telhado maravilhoso que talvez não se sustentasse, como se fosse uma construção, usando uma metáfora. Trabalhei posse de bola, passes, trabalhar em espaços pequenos, que é onde o jogo se desenvolve, velocidade, tomada de decisão, pressão na bola, transições defensivas e ofensivas. Coisas que deixaria para eles e não atrapalharia nem colocaria uma trava no trabalho do Juarez . Não poderia fazer algo que mudasse toda a estrutura, complicasse tudo o que já havia sido feito. Seria leviano. A chance de perder um jogo e deixar um pepino para os caras. Os meninos estavam jogando a estreia no profissional, uma estreia extremamente nervosa para eles, depois as coisas ficaram mais fáceis. Foram trabalhos que pudessem agregar para a ideia naquele jogo, para próximos jogos. Algumas ideias já presentes no trabalho do Juarez”, contou.

“Com qualquer resultado, se eu tivesse perdido o jogo, tomado uma goleada ou ganhado de 5 a 0, a minha avaliação é a mesma, eu fiz o que na minha concepção deveria ter sido feito, dentro de tudo que a vida inteira estudei, fiz cursos, a minha pós-graduação foi dentro de campo, no treino, bolando exercícios. Eu não cheguei lá e falei: ‘E agora, o que vou fazer?’ Não fiz nada de revolucionário. Apenas usei as minhas sessões de treinamentos para melhorar os princípios de jogos da equipe, desenvolver isso nos jogadores, melhorar a condição física, controlar a intensidade. Ganhando ou perdendo, sei o que eu fiz e o grau de interferência, com a convicção que não atrapalhei. Daí a dizer ‘esses caras ganharam o jogo por minha causa, aí é um absurdo”, enfatizou.

“O que levei foram coisas do dia a dia, o ‘bobinho’ que o Guardiola (técnico do Manchester City) faz, que faz o (Jürgen) Klopp (Liverpool), (Carlo) Ancelotti (Bayern), o (José) Mourinho (United), coisas que esses caras fazem, e colocando ingredientes, treinamentos em campo reduzido, para tomar decisão rápida, elementos que parecem lúdicos, uma brincadeira, mas é sério, você vê no jogo. Quando a marcação está em cima, o que os caras estão jogando ali é ‘bobinho’. Teve treino de transições, de uma área a outra, de intensidade, de jogo apoiado”, revelou.

Estrutura e jovens jogadores que treinou 

“Aqueles meninos estão jogando a quarta divisão, mas um ou outro poderá ser visto numa equipe profissional, como tem lá dois meninos que jogaram no Palmeiras e que podem voltar a qualquer momento. Jogaram com Gabriel Jesus e que são muito bons jogadores, muito bons jogadores, muito leves, habilidosos, velozes, que tomam decisões rápidas, também”, conta.

“Eles (os jogadores) curtiram, porque são garotos em busca de uma oportunidade, tinha alguém conhecido e um canal de televisão os filmando a semana toda. Sabiam que era um programa de televisão e que talvez fosse a única câmera de TV que iria aparecer até o final do campeonato. Isso, acho, gerou um nervosismo no início do jogo, que a gente depois conseguiu resolver. Jamais poderia estar me gabando agora: ‘Tá vendo, fui lá, fiz o trabalho’. Procurei não atrapalhar o trabalho do Juarez. Até teve um treinamento que ele falou: ‘Pô, gostei, vou passar a dar esse treino a partir de agora’. Fiquei super feliz, foi o meu prêmio saber que aquele treinamento que levei ele vai continuar usando. O grande prêmio foi esse, não levei uma porcaria”, relatou.

“Eu não sabia qual era o nível do time, sabia que estava correndo um risco muito grande. Eu não poderia atribuir a mim nem o sucesso nem se tivesse sido um fracasso, só que seria muito difícil me descolar do fracasso, ficaria colado em mim, então fiquei muito preocupado com isso, mas no fim tudo deu certo, mas quando cheguei lá e vi os garotos, o Juarez e o clube do Oscar, que para uma quarta divisão era de Real Madrid, com campo de treinamento ótimo, alojamento, refeitório, fisioterapeuta, preparador físico. Tem meninos lá que jogaram no Palmeiras, que jogaram até com Gabriel Jesus no time de cima e a carreira deu uma volta e que pelas circunstâncias do futebol ou talvez por decisões erradas que eles tomaram, eles estão na quarta divisão hoje, e sabem a oportunidades que têm”, ressaltou.

“Quando vi que eram condições excelentes, me tranquilizei. Dificuldade nenhuma, para trabalhar com os meninos, em relação à estrutura, à vontade de fazer virar, eles entenderam e tenho certeza que durante os treinamentos eles viram que não tinha nenhum louco ali inventando moda. Então conheci as características da equipe e ‘vamos pro pau’. Colocar em prática coisas que iriam poder melhor o jogo da equipe e isso não tenho dúvida que foi feito. Posso dizer que um clube como esse, da quarta divisão, é um retrato, numa dimensão bem diferente, do que você encontra numa primeira divisão. Um clube que vai jogar o Campeonato Brasileiro você tem um elenco com dificuldades, jogadores com dificuldades em construir o jogo, armar, você encontra isso num time da primeira divisão. O que encontrei lá está presente em time da primeira, também”, garante.

Sem plano de ser treinador

“Não penso nisso, não tenho esse interesse, não passa pela minha cabeça”, confirma Calçade. “O meu objetivo em tudo que fiz nessa área é poder conhecer melhor para levar para quem me assiste ou me lê um trabalho com conteúdo melhor. Fiz pós-graduação em treinamento na Escola de Educação Física da USP, curso de Gestão do Esporte na Fundação Getúlio Vargas, fiz curso de arbitragem na Federação Paulista, faço todos os cursos da Universidade do Futebol, mas não estou preparado, ainda, quero um dia estar, mas não para ser treinador”, completou.

Busca constante por aprimorar conhecimentos

“Quando fui para a ESPN em 1994 (ainda com mo TVA Esportes) depois de dez anos em veículos impressos, jornais, resolvi fazer um curso de arbitragem, porque a gente transmitia jogos e achei que precisava entender mais das regras. Durante o curso, percebi que havia um novo mundo do futebol inexplorado, que era o mundo do conhecimento, aí caiu a ficha: para sobreviver nesse mundo (de análise de futebol), pensei eu, se tiver um conhecimento mais amplo da arbitragem, da vida do treinador, do preparador físico, do jogador, mesmo não tendo jogado, dos treinadores e todos aqueles que fazem o futebol, se pudesse conhecer a realidade deles – e a porta que tenho é estudar -, eu fui e gostei do que vi, percebi que a gente gosta do futebol, mas a gente não conhece futebol, então é preciso estudar mais. Isso me fez bem, me manteve ativo, competitivo e me deu uma certa durabilidade na profissão. O que sei hoje n&atil de;o me deixa contente, e quanto mais vai atrás, mais você sabe menos, tem que estudar mais. Única maneira de continuar competitivo, é aprendendo. Serve pra mim. Tem gente que é muito boa e que não fez nada, mas eu não teria condições de trabalhar sem fazer isso. Acho que quem estuda, não se dá mal. Só no Brasil para se achar que estudo é perda de tempo e que não vai dar certo. No mundo todo os caras estão estudando.”

Jornalistas e ex-jogadores comentando

“Quem está comentando e jogou futebol tem uma história maravilhosa e que leva para os comentários, e quem está está assistindo acredita muito naquilo, acho extremamente importante. Agora, essa porta (de quem jogou) eu não tenho pra mim. A que eu tenho é a do conhecimento. Tenho convicção de que eu posso atingir o conhecimento no futebol por essa porta, senão o Mourinho não poderia ser treinador, o Parreira não teria dirigido a seleção em Copa do Mundo e vencido, caras que não tiveram uma carreira (de jogador) longa ou que não tiveram. Não podemos criar essa guerra que muitos tentam criar: ou é ex-jogador ou é jornalista. Jogador foi lá e teve uma porta maravilhosa, que é a experiência vivida, tudo isso. A minha é a de buscar esse conhecimento que ele teve no campo na escola, aprendendo. Eu só penso o seguin te: um médico que não se aperfeiçoa, que não faz curso, que não estuda, baseado apenas naquilo que aprendeu há muitos anos, ele pode ficar defasado. Não é para questão de comentar futebol, eu vejo isso para o engenheiro, para o médico, jornalista, padeiro, para o farmacêutico. Nenhuma classe, profissão pode se dar ao luxo de parar no tempo. Vale para ex-jogador, jornalista, para todos”, destaca.

“Acho que as TVs abertas, que têm mais (ex-jogadores), estão mais preocupadas, (acham) que o jogo é só puro entretenimento, então se tem uma pessoa muito famosa e com uma baita história no futebol, na visão deles fica muito mais legal que ter jornalista. Agora, eu acho que jornalistas agregariam muito ao lado de jogadores, ajudariam muito. Não vejo que um tira o lugar do outro, que é melhor que o outro, essas dobradinhas, que eu faço aqui na ESPN e já fiz com o Júnior na Record, sempre é ótimo, existe um complemento.

Com roteiro e reportagem de Marcelo Gomes, a série “De comentarista a Professor”, com o comentarista Paulo Calçade, será exibida pela ESPN em quatro episódios, com estreia no dia 9 (terça) e encerramento na sexta (12). De acordo com a assessoria da emissora, a série irá ao ar inicialmente no SportsCenter 1ª edição (o das 12h) e posteriormente nas demais atrações da programação.

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