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Repórter da ESPN faz desabafo sobre assédio sofrido em final da Copa do BR

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03/12/2015 18h45

622_70fd25fa-ea90-32f1-81d6-44288f4996beGabriela Moreira criticou duramente o machismo no futebol (Crédito: Reprodução/ESPN)

A repórter da ESPN, Gabriela Moreira, desabafou em sua página do Facebook após ser alvo de assédio de torcedores durante a final da Copa do Brasil entre Palmeiras e Santos.

No texto publicado, que teve centenas de curtidas e dezenas de compartilhamentos, Moreira relata que foi chamada de "vagabunda" nos arredores do Allianz parque e denunciou aquilo que chamou de licença poética para o machismo no futebol.

Leia na íntegra o texto de Gabriela Moreira

Eu conheço o machismo de perto. Ontem pude sentir o bafo dele. Úmido, quente.
Não pisquei o olho. Não me movi. Eu conheço o pior do ser humano e não é de hoje. Na morte do Gaguinho, miliciano, grávida, vi a perícia levantar a pele que sobrava do rosto dele entre os 20 buracos de bala de fuzil do qual foi alvo.

Ouvi de perto também os prantos da mãe de Matheus, que aos 4 anos fora morto no Complexo da Maré. Nas mãos da criança, uma moeda de R$ 1 que usaria para comprar pão. Os prantos da mãe de Matheus ainda não consigo esquecer.

Por ter visto o pior do ser humano de tão perto é que não me abalo quando vejo um machista pela frente. Ao contrário, respiro o mesmo ar que ele. De preferência, bem de perto.

O machismo não se instala somente no futebol. É que aqui, ele ganha ares de licença poética. O machismo que vi na polícia e na política é o mesmo. Mas aqui, ele sai entre um "olê, olê, olá" e vez em quando, depois de um "Chupa".

Se o ouvinte é um homem, o "chupa" é "verbo" sem complemento. Para nós, mulheres, ele sempre vem acompanhado. E ontem, ele foi acompanhado de muitas coisas mais, durante muito tempo.

"Você vai ver eu te chupando todinha, sua vagabunda", foi um dos gritos que ouvi por longos 40 minutos. Gritado por dezenas de torcedores, na frente de pessoas com as quais me relaciono diariamente. Não pisquei, não desviei o olhar. Respirei bem de perto.

Para que entenda o machista que nem o ar que ele respira eu não posso ter. Nada terão eles que nós não possamos ter. Ouvir o que ouvi hoje é para os fortes. Falar o que disseram, não.

Aos covardes, um aviso: essa luta já está perdida. Pelo filho que eu crio, que nós criamos. Pela força dos que estão porvir. Não tenham dúvida, esse título já é nosso!

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