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Galã da TV dos anos 1980, Andreoli conta causos sobre Dunga e Renato Gaúcho

UOL Esporte

03/02/2015 11h00

Atenção: esta não é uma entrevista com alguém aposentado, sem sonhos e planos, louco para contar histórias e não projetos. O aviso vem de forma enfática e mesmo assim, sorridente, de um Luiz Andreoli que traz um refrigerante de dois litros, batatinhas e biscoitos doces para a entrevista no salão de festas do prédio em que vive com a mãe, Gerusa, e a mulher, Flávia.

Boca Livre? Este era o nome de seu último programa na televisão, no ar do final de 2012 até o início de 2014, na TV Brasil. Boca fechada. Foi assim que se preparou para voltar. Perdeu 25 kg em um ano, graças à reeducação alimentar e a 10 km diários de corrida no Parque Ibirapuera. "Estou muito bem fisicamente, com muitas ideias e vontade de aprender e ensinar", diz Andreoli, que também se preparou de outras formas.

Quando Flávia chega para acompanhar a entrevista, é possível ver o que as fotos nas redes sociais mostram constante e insistentemente. O amor está no ar. "É meu terceiro e último casamento. Ela é bem mais nova, mas eu é que sou mais moleque e a gente se completa bastante. Muito do meu equilíbrio emocional eu devo a ela".

Se está bem física e emocionalmente, Andreoli está muito bem na parte espiritual. Continua sem ter religião, mas aproximou-se muito de Deus, o que o levou a escrever o livro "Dossiê Cristão", que fala de algumas experiências que teve e que o fizeram perceber que não está sozinho. Foi o segundo livro. O primeiro, "As histórias do Bonitão na TV", é o que o título diz. Fala de sua carreira vitoriosa, com passagens marcantes pela Globo, Record e Bandeirantes.

Um tempo em que ele – o bonitão – conviveu com a tríade do jornalismo global – Armando Nogueira, Alice Maria e Woile Guimarães – aprendendo e sobrevivendo. As exigências eram grandes. Viu um colega ser demitido praticamente no ar por usar a palavra interviu em lugar da correta interveio. "Aprendi muito. Havia pressão e era impossível errar, não só pelas cobranças mas também pela falta de material. O filme era pouco e não havia a possibilidade de tanta repetição como hoje".

No tempo da TV a lenha, merchandisings ao vivo podiam causar dramas e histórias engraçadas. E como era engraçado conviver com Renato Gaúcho, por exemplo.  "Com ele, fiz uma das matérias mais marcantes da TV Globo. Era dia dos Namorados e comprei uma dúzia de rosas para ele ofertar às suas ex-namoradas", conta Andreoli.

O combinado era Renato dizer "Essa rosa é para Mariazinha, que namorei em São Paulo, essa outra é para Aninha, que beijei no Rio etc". No ar, Gaúcho trocou os nomes fictícios pelos nomes das mães, namoradas e filhas dos outros jogadores. Telê Santana, o treinador, teve de se virar para evitar uma grande briga na concentração quando Casagrande e outros foram tirar satisfação com Renato.

Andreoli mostra orgulho ao falar da matéria que fez para o Fantástico, acompanhando um lutador desde a saída de sua casa até o ringue, onde tentaria ganhar o título brasileiro até a volta ao lar. O "lar", no caso, era o Carandiru, onde o campeão Rui Bonfim cumpria pena por assassinato.

A experiência e a certeza de ter aprendido muito fazem com que Andreoli tenha certeza de voltar logo. "Ainda tenho muito a dar", diz aquele que é lembrado pelos mais jovens como o pai de Felipe Andreoli, do CQC. "Para mim, isso não tem problema algum. Somos dois profissionais muito bons e com trabalhos que devem ser admirados". No seu caso, com um talk show no final de noite, envolvendo boa conversa, música e comida. "Um projeto de qualidade que espero ter no ar em pouco tempo".

Luis Augusto Símon
Do UOL, em São Paulo

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