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Silvério relembra narração ao lado de cães e diz que TV é "moleza"

UOL Esporte

20/07/2013 06h02

Crédito: Divulgação

José Silvério é considerado um dos maiores narradores da história do rádio nacional. Mas poucos sabem que o locutor teve duas passagens pela televisão na década de 90 que o fizeram achar esta mídia uma "moleza" em relação ao rádio. Em entrevista ao UOL Esporte, ele relembrou os 50 anos de carreira completados neste sábado com direito a narração ao lado de cães da Brigada Militar em Porto Alegre durante a final do Brasileirão de 1979.

"Os caras do Inter puseram a gente dentro do campo na final contra o Vasco. Estava narrando e a Brigada Militar com cachorro passando na frente. Uma hora me enchi e perguntei ao guarda se podia colocar o cachorro no ar. Ele autorizou. Pus o cachorro para latir no microfone. Foi um negócio que ficou todo mundo comentando. O cachorro locutor [risos]".

Outro momento inusitado na carreira de Silvério aconteceu no último treino da seleção brasileira antes do início da Copa do Mundo de 1986. Um pedido do então técnico Telê Santana o obrigou a improvisar para conseguir narrar a atividade.

"Foi no campo do América do México. O Telê deixou as pessoas entrarem, mas não podia levar equipamento. Queria irradiar o último treino. Conseguimos com uma pessoa que tinha uma casa do lado do estádio. Pagamos, ela alugou um pedaço da casa. Subi no telhado e narrei o treino".

DEPOIMENTOS DE AMIGOS E GOLS INESQUECÍVEIS NARRADOS POR SILVÉRIO

  • Divulgação

Durante os 30 minutos de entrevista com a reportagem, Silvério mostrou muito bom humor ao responder as perguntas. O narrador da Rádio Bandeirantes chamou a atenção ao falar entre as diferenças de trabalhar na rádio e na TV.

"Você vai me por numa fria danada se eu responder sinceramente, corro risco [risos]. A TV é uma moleza", cravou. "É fácil você narrar rádio num puta ritmo frenético e depois diminuir para acompanhar devagar na TV. Agora é mais fácil para quem sabe também né?".

Silvério teve duas passagens pela TV: na extinta Manchete, durante a Olimpíada de 1996, e na ESPN Brasil, ano que o narrador de 67 anos não se recorda ao certo. "Agora você me apertou, eu acho que foi em 95".

Silvério disse que recebeu ofertas para seguir tanto na Manchete ("uma grana que nem hoje eu ganho") e quanto na ESPN Brasil, mas recusou ambas. Quando estava na Rádio Jovem Pan, ele recebeu uma sondagem de uma rede de TV fechada, que se assustou com o que ele ganhava lá e desistiu de tentar cobrir o seu salário.

EMOCIONADO POR FICAR NA HISTÓRIA DOS PALMEIRENSES

  • Pisco del Gaiso/FolhapressJosé Silvério é lembrado por torcedores de vários times do país por narrações inesquecíveis de gols especiais. Mas talvez o fã de futebol que mais recorde com carinho do locutor é o palmeirense, pois ele ficou eternizado pelo grito de "agora eu vou soltar a minha voz" que deu no Paulistão de 1993, quando o Verdão findou o jejum de 17 anos sem títulos na final contra o Corinthians. Esse carinho da torcida é algo que já deixou Silvério emocionado."Tem gente que me mostra o celular com essa frase até hoje. Um dia fiquei emocionado quando fui para a padaria comprar pão e vi um cara com a camiseta do Palmeiras que ele mandou fazer que estava escrito: saímos da fila, agora eu vou soltar a minha voz. Vi o torcedor com essa camisa e falei: puxa vida, tantos anos! A gente fica feliz, porque no fundo, no fundo é um resultado do trabalho. Quando você vê que fez alguém alegre é muito legal".

O narrador ficou sem jeito ao tentar explicar porque não optou por seguir carreira na TV. "É porque eu gosto de rádio, sou de rádio. Só por isso, sabe, com toda sinceridade. Não tem explicação. Estou no radio até hoje".

Silvério fez questão de dizer que não se preocupa em estar entre os melhores da narração, mas sim em fazer o seu trabalho da melhor maneira possível. Ele elogiou a atual geração de narradores do rádio, mas lamentou dos jovens a predileção pela TV. Na telona, o locutor vê Galvão Bueno e Luciano do Valle como inatingíveis pela qualidade que possuem.

"Hoje está diferente porque até os jovens estão muito mais encantados pela TV. Como no rádio tem ficado pouca gente boa, porque logo já vai para a TV, tem esse problema".

O narrador da Rádio Bandeirantes disse não fazer planos para a carreira. Silvério não pensa em aposentadoria, pois adota o lema de trabalhar até quando puder. Com mais de dois mil jogos narrados em 50 anos de carreira, ele admitiu que tem ainda um sonho de realizar algo que não fez em toda a profissão, narrar o título da Copa do Mundo do Brasil em casa no ano que vem.

"Única coisa que quero fazer ainda, não chega a ser um sonho. Não é nada específico, não vai matar. Mas gostaria de ir para a Copa e narrar o hexa do Brasil. Seria muito legal", explicou Silvério, demonstrando uma empolgação inusitada para quem está há tanto tempo no rádio.

"Seria uma coisa sensacional de se fazer. Quando teve a Copa no Brasil, eu tinha quatro anos. Não tinha TV. As imagens são raríssimas. Narrar no mundo moderno no Maracanã é uma acho emoção que não tem preço", falou o radialista, que até arriscou quem faria o gol do título. "Se fosse um gol bonito do Neymar seria mais legal né [risos]".

Renan Prates
Do UOL, em São Paulo

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