Topo

Milton Neves 60 anos: blog conta histórias de beijo em comentarista e luta inventada

UOL Esporte

06/08/2011 07h01

 

O blog UOL Esporte Vê TV rende homenagem neste sábado ao apresentador de rádio e televisão Milton Neves. Hoje no grupo Bandeirantes, a estrela da comunicação esportiva nacional completa 60 anos de muitas histórias, polêmicas e notoriedade.

Nascido em 6 de agosto de 1951 no interior de Minas Gerais (na "Grande Muzambinho", como gosta de dizer), Milton Neves construiu carreira sólida em muitos anos no rádio, antes de migrar para a TV aberta.

Entre outras coisas, o jornalista mineiro fez seu nome através do talento como frasista, dominando técnicas de comunicação com características publicitárias. Não por acaso, também atua neste segmento há um bom tempo. No repertório de frases, provocações e exaltações.

Nos anos 90, criou uma série delas a respeito dos times paulistas, em material que virou mania em formato de adesivos, consagrados com bordões repetidos incansavelmente pela Rádio Jovem Pan, sua casa na época. Ele emplacou sentenças como "Torcer para o São Paulo é uma grande moleza" e "Santos, melhor jamais".

Um dos êxitos de Milton Neves como comunicador é o perfil de um homem da mídia que não passa indiferente. Muitos os seguem (os "miltistas juramentados", como diz no rádio) e outros tantos não vão com a sua cara.

Na legião de críticos desponta o argumento de que Milton exagera na inserção de merchandising em sua atuação no rádio e TV, comprometendo a natureza jornalística dos programas.

Sem entrar no mérito da polêmica, o UOL Esporte Vê TV separa abaixo cinco histórias a respeito do aniversariante, algumas delas conhecidas, outras nem tanto. Confira:

INVENTOU LUTA DE BOXE NO RÁDIO

Numa manhã de 1974, como de praxe, o narrador Osmar Santos pediu para Milton Neves um destaque internacional na abertura da transmissão da Jovem Pan. Como o telex havia quebrado, o iniciante jornalista não hesitou e inventou a imaginária luta de boxe entre o chileno Juan Contreras e o argentino Ortiz Peña.

De volta com a palavra, Osmar Santos pediu a opinião do comentarista Claudio Carsughi sobre a luta, que valia o título sul-americano, segundo o relato fantasioso de Neves.

TORCEDOR DE MIL E UM TIMES

O apresentador nunca escondeu sua paixão pelo Santos, que nasceu nos tempos de Pelé quando ainda escutava futebol por rádio em Muzambinho. Hoje em dia, até concilia a atuação na mídia com o cargo de conselheiro do clube do litoral.

No rádio, um incidente clássico envolvendo sua veia santista aconteceu em 1995, na semifinal do Brasileiro, quando o Santos de Cabralzinho decidiu não descer para os vestiários no intervalo para tentar pegar a energia da torcida, na missão de virada no placar contra o Fluminense. Neste instante, presente no estádio, um Milton Neves contagiado gritou pelos microfones da Jovem Pan: "Canta, Pacaembu. Canta, Pacaembu. Santos, meu amor". O time da Vila acabaria conseguindo a vaga na decisão.

Mas de uns tempos pra cá Milton tem adotado a estratégia de bajular outros clubes, lotando a lapela de seu paletó na TV. O apresentador passou a defender o Atlético-MG e acabou homenageado pela torcida do Galo no Mineirão (foto ao lado). Mais recentemente, virou "torcedor adotado" de Bahia e Santa Cruz, arrastando torcidas de massa para sua legião de fãs e comprando antipatia de outras tantas.

DISCUSSÃO AO VIVO NO MESA REDONDA

Essa talvez os torcedores paulistas conheçam melhor. Citado pelo apresentador Roberto Avallone, então comandante do histórico Mesa Redonda da TV Gazeta, Milton Neves surpreendeu e apareceu nos estúdios para bater boca com o colega de profissão. Durante 40 minutos, os jornalistas trocaram ofensas ao vivo e levantaram a audiência da atração das noites de domingo.

Milton Neves falou ao vivo o número de telefone de um dirigente do Palmeiras, pedindo a intervenção do mesmo na polêmica. O "intruso" ainda disse: "Existe um homossexual nesta mesa". Avallone, por sua vez, cansou de chamar o antagonista de "inculto" e por algum motivo propagou o bordão da Revolução Francesa: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

A briga se tornou folclórica na imprensa paulista, mas ambos se reconciliaram anos mais tarde. Avallone compareceu como convidado ao programa de Milton Neves, então na TV Record.

BEIJO EM COMENTARISTA

Recentemente, um incidente no estádio do Pacaembu aumentou o folclore em torno de Milton Neves. Empolgado com um gol do seu Santos na decisão da Libertadores contra o Peñarol, a estrela do grupo Bandeirantes agarrou o comentarista Mauro Beting e lhe tascou um beijaço na bochecha (foto ao lado). A cena foi registrada pela equipe do apresentador e propagada através da internet.

INDICOU FELIPÃO PARA SELEÇÃO

Milton Neves conta que em 2001, durante um domingo na rádio, recebeu um telefone do presidente da CBF Ricardo Teixeira. De acordo com o relato do jornalista, o dirigente disse que estava ouvindo sete pessoas com opinião de respeito nacionalmente para decidir sobre o futuro técnico da seleção brasileira.

Na altura daquele telefonema, a disputa estava empatada por 3 a 3 entre Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Isso significava que Milton Neves teria o "voto de minerva". O comunicador então optou por Felipão, que acabou escolhido na CBF e, um ano depois, campeão da Copa do Mundo.

Créditos

Foto 1: Mastrangelo Reino/Folha Imagem

Foto 2: Atlético-MG/Divulgação

Foto 3: Reprodução

Sobre o Blog

A TV exibe e debate o esporte. Aqui, o UOL Esporte discute a TV: programas esportivos, transmissões, mesas-redondas, narradores, apresentadores e comentaristas são o assunto.