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Comentarista salvou amigo da ditadura e sofre com descaso do ‘Mesa Redonda´
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Crédito: Luis Augusto Simon

Crédito: Luis Augusto Simon

Dalmo Pessoa de Almeida, 73 anos, diretor comercial do Hospital Igesp e diretor administrativo do Trasmontano, plano de saúde, gosta de caminhar. Sempre às seis da manhã, em um parque na Penha. A caminhada antecede o café da manhã e a leitura dos jornais. E sempre é interrompida. Sob a mesma justificativa. As pessoas querem saber por que o comentarista Dalmo Pessoa, o bom de bola, deixou o Mesa Redonda da TV Gazeta há quatro anos.

Ele não explica. “O bom cabrito não berra”, explica Dalmo em sua sala no Igesp. Não berra, mas fala. Na medida certa, inclusive de mágoa. Não e algo desabrido escancarado, mas está lá na explicação. “Uma vez encontrei um antigo colega do Mesa em um banco. Ele disse que eu faço muita falta. Não falei nada, mas pensei comigo: se eu faço falta por que não recebi um telefonema que fosse quando saí? Ninguém disse tchau que fosse”.

O motivo da saída, Dalmo conta, tem a ver com um jantar no Alfama dos Marinheiros, onde a equipe se reunia após o programa. “O Andrés Sanches tinha sido o convidado. Ele falou que o Corinthians venderia um milhão de camisas e seria o clube mais rico do mundo. Eu contestei porque a porcentagem do valor da venda de camisas recebido pelo clube é pequena. Mas teve um colega que se entusiasmou e, no almoço, ficou pedindo que o Andrés desse uma franquia da loja Todo Poderoso para o filho dele”.

Dalmo saiu da mesa e, quando estava voltando, recebeu o apelo de um garçom. Ele disse que os jantares se estendiam pela noite e que ninguém ganhava extra. Pediu ajuda para Dalmo interromper a reunião. “Disse que não podia fazer nada a não ser ir para casa, o que já estava nos meus planos. Fui me despedir de todos e vi que a insistência do colega com Andrés continuava. Um ou dois dias depois, um blog sensacionalista deu a notícia que Andrés estava sendo coagido por um integrante da Mesa. Acharam que fui eu”.

Pouco tempo depois, foi demitido. “O Gomes, dono do restaurante ficou dizendo que eu passei a noticia. Cara, se eu tenho a noticia eu publico. Se acho que não é noticia, não publico. E a coisa foi crescendo. Uma semana depois, eu saí.”

A saída da Rádio Bandeirantes no ano 2000 também marcou a carreira de Dalmo. O motivo da saída, ele conta, rindo com amargura. “Sabe qual foi o motivo? Tinha um diretor que me achava brega. Então, foram buscar motivos. O primeiro foi porque em 98, eu disse que não havia sido pênalti do César naquele jogo Corinthians x Portuguesa. Eu vi, foi no meu lado do campo, nem precisou de monitor. Falei do erro e fiquei marcado. O Farah, que era presidente da Federação, veio pressionar e eu encarei. O Corinthians mandou uma carta falando mal de mim e a Bandeirantes leu no ar, um absurdo. E contrataram o José Assis de Aragão para comentar arbitragem, para bater comigo”.

E tudo se complicou com uma sucessão de erros no jogo entre Barcelona x Seleção Brasileira, no ano seguinte. “Nossa cabine era ruim. Eu estava na quinta fila, com um monte de gente na minha frente. Saiu um gol do Barcelona e Dirceu narrou. O jogo recomeçou. O juiz tinha anulado impedimento e ele não viu. Nosso repórter também não viu. E eu não vi, nem enxergava o jogo direito, com tanta gente. O Galvão Bueno errou também, mas a retaguarda no Rio avisou. Nossa retaguarda, em São Paulo, só avisou cinco minutos depois. Então, levei uma geladeira e depois fui demitido.”

Dalmo é formado na escola da vida. “Só fiz o colegial, mas cobri sete Copas do Mundo e aprendi muito”. Dono de um estilo contundente e irônico, gosta de usar termos eruditos como “justiça de fancaria” e “part pris”. Fez sucesso com notas sobre a política dos clubes, algo inédito até então. Suas fontes eram chamadas de “raposas felpudas”. Ele tem muitas histórias para contar. E opiniões para expor. A seguir, algumas delas.

JOGOU COM PELÉ

Antes de Dorval Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, houve Dalmo, Raul, Tião, Edson e Tigum. Foi no final dos anos 40, na vila ferroviária de Curuça, a seis quilômetros de Bauru. “Meu pai era ferroviário e eu morava na vila. Havia dos times de futebol, o dos operários e o da molecada, que chamava são-paulinho. Eu era muito ruim e fiquei na ponta direita para buscar a bola que caía na ribanceira. Um dia, chegou um garoto e pediu para jogar. Era o Edson, que jogava muito. Depois, ele virou o Pelé. O Peirão de Castro, da TV Gazeta e o Roberto Monteiro, da Rádio Bandeirantes, foram perguntar para o Pelé e ele confirmou.”

FOGO NO PANTANAL E O CORINTHIANS DANÇOU

Em 1989, o Corinthians ia jogar a semifinal do Paulistão com o São José. Era o favorito. Foi então que Dalmo recebeu um estranho telefonema. “Era um dirigente do São José. Ele usou o termo ‘vou tocar fogo no pantanal’. Pedi para ele explicar melhor. Falou que não perderia o jogo nem f… E o José Roberto Whright veio do Rio para apitar o jogo. E ele anulou um gol legítimo do Cláudio Adão. Eu contei a história no ar, mas preservando o nome do dirigente. O Dualib me ligou para que eu depusesse no tribunal contra o São José. Eu respondi que não podia fazer nada, não tinha gravação. Aliás, se eu tivesse gravação já tinha falado o nome, não ia dar para o Dualib”.

A HONESTIDADE DE ROBERTO NUNES MORGADO

Conhecido por seu estilo escandaloso de apitar, sempre com muitos trejeitos, Morgado era um árbitro de personalidade. Morreu em decorrência da Aids. Dalmo tem uma boa lembrança dele. “Um dirigente de um grande clube foi visitar o Morgado. Levou uma mala cheia de dinheiro. Queria que ele roubasse no jogo do domingo seguinte. Morgado mostrou a casa para o dirigente. Casa muito pobre, ele vivia com o pai, bem velho. Disse que era pobre e honrado e que não aceitava dinheiro algum. Quando ele morreu, eu fiz um discurso no túmulo e contei essa história. Foi um homem de bem”.

ENVOLVIMENTO COM A ESQUERDA E COMO DALMO SALVOU UM CERTO RUI

“Eu trabalhava com um colega, o Rui, no NP e na Gazeta Esportiva. No NP eu editava e ele era repórter. Ele era de esquerda, ligado ao Lamarca. Em 1969, um editor reacionário chegou gritando que o Marighela havia sido morto. Por causa disso, o Rui precisava fechar mais cedo porque tinha coisa mais importante que futebol. Ele se revoltou e pediu demissão na hora. No dia seguinte, iria à Paulista, onde era a sede administrativa da Gazeta para assinar os papéis e depois passaria em um banco na rua Helvétia para fechar a conta.

No dia seguinte, fui trabalhar e encontrei Ramão Gomes Portão, um repórter famoso que sabia tudo da área de polícia. Ele me chamou de lado e disse que o delegado Sérgio Fleury, que era muito duro, estava chegando para prender o Rui. Então, fiquei na rua, andando de um lado para o outro para encontrar com ele antes de ele entrar na redação. Não sabia se ele vinha da Paulista ou do banco. Eu fiquei andando até ver que ele estava chegando. Dei uma trombada nele, derrubei no chão e mandei sumir porque o Fleury estava atrás dele.

Tempos depois, ele foi preso em Porto Alegre, junto com a mulher. Durante dois anos, uma vez por semana eu ia visitar o pai do Rui para ver se ele precisava de alguma coisa”.

Sabe quem é o Rui? O Rui Falcão, atual presidente do PT.

COPAS DO MUNDO E A SOBERBA

Dalmo reconhece a força do futebol brasileiro, não vê ninguém como Pelé, mas também não vê injustiças na perda de títulos que pareciam certos. “A soberba sempre derrotou o Brasil. O time de 82 teve várias chances de vencer e de empatar e perdeu para a Itália. Em 86, pegaram um goleiro nosso transando no estacionamento antes do treino. Em 78, estava 3 a 0 contra o Peru e o Brasil ficou tocando bola, sem massacrar. Depois, ficou reclamando da Argentina.

PARCERIA COM FIORI GILGLIOTTI

Fiori Gigliotti, o narrador, tinha um estilo romântico, com palavras doces para tudo. Dalmo, o comentarista, era irônico e contundente. Sempre formaram uma dupla equilibrada, mas em 90 não foi bem assim. “Em 82, o Fiori ficou muito abalado com a derrota e fez um drama daqueles, quase chorou. Então, pediu minha opinião e eu fui simples e direto. Falei que era uma seleção de bunda mole. O Fiori quase desmaiou, falou assim: Deus do Céu, Dalmo Pessoa…. Em 90, depois da eliminação para a Argentina, ele falou assim: ‘nosso treinador tem merda na cabeça’. Nem parecia o velho Fiori.

COMENTARISTAS ATUAIS

“Vejo muito número, muita informação estatística. Isso pode ajudar mas não pode ser tudo. Quando o Tite colocou o Romarinho contra o Boca, em 2012, eu não olhei número, não vi nada. Falei que podia dar certo porque ele é rápido e tem um drible curto, que era a melhor maneira de abrir a defesa dos caras. Cinco minutos depois ele fez o gol.

LEI PELÉ

Dalmo acha que a Lei Pelé é um equívoco de jornalistas de esquerda bem intencionados – “Antes, futebol era saco e bola. Então, passou a ser sustentado pela parte social, clubes como o Juventus tinham mais de 100 mil sócios. Depois, com as academias e tudo o mais, os clubes perderam sócios e passaram a ser sustentados pelo futebol. Hoje, é o empresário que manda. E os clubes estão se desfazendo de bens próprios para manter o futebol e esses caras. O Palmeiras tinha um estádio e agora é a W Torre que tem.

O pior é que usam a Lei de Incentivo ao Esporte para fazerem centros de treinamento. E, dentro do centro de treinamento, alojam jogadores que não são do clube, são do empresário. Como alguém de esquerda pode fazer uma lei que ajuda o capital?

Luís Augusto Simon

Do UOL, em São Paulo


Internautas criticam Globo por transmitir despedida de Léo Moura
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A Globo do Rio de Janeiro optou por transmitir uma partida amistosa nesta quarta-feira (4). O jogo marca a despedida de Léo Moura do Flamengo e causou bastante estranheza dos internautas no Twitter.

Apesar do dia estar repleto de jogos da Libertadores e Copa do Brasil, o único clube carioca a entrar em campo foi o Boavista, às 16h. Assim, a emissora optou por destacar a partida para não exibir um filme ou um time de outro estado.

Mesmo assim, diversos internautas não curtiram a ideia; veja:


Fox Sports vai passar jogos na madrugada apenas com canções de ninar
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O que você faz quando seu filho recém-nascido chora de madrugada: Reclama? Pede para a mãe levantar? Se depender da Fox Sports, o pai vai direto para a frente da televisão. O canal fechado decidiu inovar nas reprises e anunciou nesta quarta-feira que passará jogos de madrugada com o som apenas com canções de ninar.

Isso mesmo. A ideia é que os homens tenham um motivo a mais para levantar durante a madrugada e fazer o bebê dormir novamente enquanto a mãe descansa, pelo menos é isso que espera o canal. Os duelos “para dormir'' vão passar sempre às 2 horas da manhã.


Repórter da Fox teve que mudar de nome porque ninguém sabia pronunciá-lo
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gudryan neufertO repórter Gudryan Neufert na final da Libertadores (Reprodução: Fox Sports)

Nem a mãe de Gudryan Neufert tem certeza sobre a pronúncia do nome do repórter da Fox Sports. “Dependendo do humor, ela fala dryan ou Gudryán”, diz o jornalista catarinense, de 41 anos, cheio de paciência para explicar (mais uma vez) a pronúncia de seu nome. “Eu tendo a falar mais Gudryán, mas acho que as duas formas estão corretas”.

Ele pode não fazer caso sobre a sílaba tônica, mas precisou lutar muito durante a carreira pelo direito de carregar o próprio nome. Nas redações da vida, já se rebatizou duas vezes por sugestão de chefes. E sugestão de chefe, você sabe, é um pouco mais do que isso.

Quando chegou a Florianópolis para trabalhar na afiliada da Globo local, um editor encasquetou logo de cara com Gudryan. “Na boa, esse é muito difícil, escolha um nome artístico que seja mais fácil de falar na TV”, disse. O repórter pensou em protestar (“Eu não sou artista pra ter nome artístico!”), mas acabou escolhendo uma coisa mais simples.

Assim nascia, aos 23 anos, o repórter Carlos Neufert, rebatizado em homenagem ao pai e ao avô, ambos Carlos. “Era meio ridículo porque tudo mundo me chamava de Gudryan e na TV tinham que falar Carlos”, lembra. “Às vezes esqueciam que estávamos no ar e saía Gudryan mesmo.”

A esquizofrenia durou uns seis meses.

Na Globo de São Paulo, quando já fazia reportagens esportivas, ele voltou a ser quem sempre havia sido. Rebatizado outra vez, participava da cobertura da Copa de 2002 quando surgiu a notícia de que Pelé tinha passado mal. O repórter foi mandado à frente do Hospital do Coração.

Da Ásia, o narrador Cléber Machado interrompeu a transmissão de uma partida de Copa do Mundo para noticiar o estado de saúde do Rei do Futebol. “Mais informações sobre Pelé com o repórter Gu… Gudr… Gudran Neu…”, gaguejou o narrador. “Gudryan Neufert!”

“Quando eu cheguei na redação, o comentário da chefia era um só: você precisa mudar de nome!”

Dessa vez, o prenome foi poupado. Sobrou para o alemão, Neufert, substituído por um tradicional Fernandes, oriundo da família de seu pai.

“Eu não gostava muito dessa história”, diz o repórter, que hoje conseguiu restabelecer o Gudryan Neufert novamente (de uma vez por todas?).

“Nome é nome, é como você gosta de ser chamado. Esse negócio de mudar é um resquício dos anos 80, 90, quando os atores escolhiam nome artístico para ficar mais fácil pro público. Hoje, as pessoas já estão mais acostumadas a ouvir e pronunciar coisas diferentes.”

Ele vai além em seu engajamento a favor dos nomes complicados: “Essa diversidade retrata a própria diversidade do Brasil. Nada a ver essa coisa de padronizar tudo.”

Freud explica

Natural de Blumenau, de ascendência alemã, Gudryan agora dá um pequeno curso aos colegas que precisam chamá-lo ao vivo na televisão. “Escreve-se Neufert, mas fala-se Nóifer, assim como Fróid se escreve Freud”, ensina ele aos profissionais da emissora.

Outro dia, uma funcionária de limpeza chegou à redação da Fox com um bebê no colo, anunciando aos quatro ventos: “Gudryan, esse é meu neto e ele foi batizado em sua homenagem”. O repórter se emocionou.

Ele tem feito algumas pesquisas na internet e diz que nunca encontrou um Gudryan mais velho que ele. “Os que encontro no Facebook são sempre molecada”. Pergunto se ele acredita que, por estar aparecendo na televisão, pais e mães têm batizado filhos em sua homenagem.

“Seria muita pretensão minha achar isso né? Pode ser que sim, quem sabe…”

Mas quando sua filha nasceu, o repórter de nome exótico não hesitou na hora de batizar a bebê.

Por via das dúvidas, ela se chama Carolina.

gudryan e carolinaGudryan e Carolina (Arquivo pessoal)

 

Adriano Wilkson
Do UOL, em São Paulo


É mais fácil ser gay no papel do que na TV, diz Milly Lacombe
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Em um dia de junho de 2006, o mundo de Milly Lacombe caiu. Estava no auge, após haver feito, como comentarista do Sportv, uma Copa do Mundo muito boa. Era reconhecida nas ruas, seu trabalho era elogiado na TV Globo, participava de muitos programas. Falava bem e sua voz era ouvida. Então, em um dos muitos programas que participava, fez um comentário ácido sobre Rogério Ceni.

Diz que não tinha simpatia por ele. Até aí, tudo bem. Depois, que não confiava nele porque o goleiro havia falsificado uma assinatura em uma proposta falsa do Arsenal para se transferir.

Falsificação é crime. E foi isso que ela ouviu, no ar, de Rogério Ceni. O goleiro telefonou para a emissora e teve o direito de confrontar Milly ao vivo. Prometeu um processo. Cumpriu.

A carreira de Milly decaiu. Foi para a geladeira. Depois, para a Record. Hoje, vive em Nova York, com sua mulher, uma advogada. Como Fernando Sabino, fez da queda um passo de dança. E diz, com absoluta convicção, que é uma pessoa muito melhor do que foi. Abaixo, a entrevista, feita por e-mail.

UOL ESPORTE: Você era um dos principais comentaristas do Sportv. Estar assim no auge fez com que você se descuidasse e falasse que o Rogério falsificou a assinatura na proposta do Arsenal que apresentou ao São Paulo. Como um goleiro que pensa já ter a bola dominada, imagina o que vai fazer com ela e acaba levando um gol?

Acho que teve um pouco disso sim, mas se fosse apenas como o goleiro que tem a bola dominada e perde teria sido um erro cometido por displicência, e no meu caso acho que arrogância foi um componente forte.

Televisão é um meio traiçoeiro, porque mexe com a vaidade como nenhum outro. Que emprego tem como punição mandar o cara para casa com salário pago? Na TV a punição por um deslize é tirar a pessoa do ar por um tempo, a famosa geladeira. Ou seja, você fica em casa, recebendo salário e sem ter que trabalhar. Quase um prêmio em outras profissões, mas para quem trabalha em TV a geladeira é a antessala da morte.

Lembro da sensação de quando comecei a ser reconhecida na rua. É uma injeção de adrenalina, uma massagem no ego. Uma vez estava num restaurante e uma menina se aproximou e disse: “posso te fazer uma pergunta?”. Na mesma hora eu já cresci e fiquei muito orgulhosa de mim mesma. Eu sabia que ela queria um autógrafo, ou uma foto. E ela disse: “Onde você comprou essa bolsa?”. Eu preferia que ela tivesse me dado uma bofetada. Se é o olhar do outro que faz a gente existir, o olhar de centenas de outros faz com que tenhamos a ilusão de que existimos à milionésima potência.

Se a pessoa não está preparada – e eu claramente não estava – isso pode elevá-la a um lugar perigoso, ególatra e arrogante. Foi o que aconteceu comigo. Nos corredores me chamavam de lado para dizer: “você vai para o Esporte Espetacular''. “Você vai para o Jornal de tal hora com certeza''. “Você é muito boa!'' Você vai se dar muito bem!” E isso foi me deixando segura e, como era imatura, essa segurança se transformou em arrogância. E a arrogância faz você achar que jamais errará.

UOL ESPORTE: Quando ele ligou para o programa, no ar, você percebeu imediatamente que havia errado?

Quando, depois que eu falei, chamaram o intervalo, eu vi a correria nos bastidores e entendi que havia feito uma merda. Ficava perguntando em voz alta o que exatamente eu tinha falado de errado, mas não me responderam. Quando a programação voltou e eu vi ele sendo anunciado para entrar no ar sem que eu tivesse sido avisada, gelei. Já não havia mais o que fazer porque estávamos ao vivo e eu percebi depois de alguns segundos que ele tinha ligado para me confrontar. Mas as câmeras já estavam em mim e o microfone aberto. Eu estava em queda livre e enxergando o inevitável: o chão se aproximando. Aí já estava muito claro que eu havia tropeçado, mas não sabia qual havia sido meu erro ainda.

UOL ESPORTE: Depois do programa, você teve apoio dos amigos?

Ah, amigos de verdade não vão embora depois que você erra. Acho que eles ficam por perto torcendo para que o erro seja digerido.

UOL ESPORTE: Tentou falar com Ceni?

Não, não houve espaço para isso. Falei com ele na audiência conciliatória, mas estávamos com nossos advogados e na frente de um juiz. Ele foi educado.

UOL ESPORTE:
 Alguém tentou uma aproximação?

Não.

UOL ESPORTE: O Ceni tentou uma conciliação?

Não.

UOL ESPORTE: Quando o caso foi para a Justiça, você foi afastada?

Eu fui afastada logo depois. A tal da geladeira. Fiquei bastante tempo, alguns meses, mas não lembro quantos. Aí voltei para o Arena e para os comentários em jogos

UOL ESPORTE: Quem pagou seu advogado?

A Globo cuidou de tudo.

UOL ESPORTE: Quanto você teve de pagar?

Nem sei quanto acabou ficando o acordo no final, soube que ficou muito longe do pedido inicial, embora não saiba dizer exatamente quanto. A Globo pagou.

UOL ESPORTE: Quais as consequências para você?

Acho que as consequências foram morais mais do que qualquer coisa. Você passa por várias fases logo depois de cometer um erro tão grande. Se errar sozinho dentro de um quarto já é ruim, imagina errar em rede nacional de TV. O baque é grande.

A primeira sensação é sempre tentar culpar alguém. Aí você finalmente entende que podem até ter te oferecido uma arma, mas quem apontou a arma para a própria cabeça e puxou o gatilho foi você. Na hora em que você percebe que não há quem culpar e que a responsabilidade do erro é sua as coisas mudam um pouco. Não ficam mais fáceis, mas aceitar a dor e o fracasso abre caminho para o resgate. E foi o que aconteceu.

Acho que o fracasso é subestimado nessa sociedade que não aceita nada menos do que o sucesso absoluto, que, pelos valores de hoje, é medido pelo dinheiro e pelo poder e por nada além disso. O fracasso humaniza. Ganhar é bom, mas perder é fundamental. No meu caso ele foi uma salvação. Eu acho que seria uma pessoa arrogante e cheia de pompa se não tivesse fracassado dessa forma. Ter que entender o erro, e depois aceitar, e depois superar e perdoar você mesma são lições muito valiosas.


UOL ESPORTE: Parou de comentar?

Algum tempo depois de voltar ao Sportv fui convidada para comentar a Champions League na Record. Foi uma decisão difícil, mas eu achei que deveria ir. Fiquei um ano por lá e foi uma experiência ótima. Aí eles perderam os direitos de transmissão, meu contrato acabou e eu saí.

UOL ESPORTE: Recebeu novos convites?

Depois da Record, não.

UOL ESPORTE: Como você começou a gostar de futebol?

Sou a filha mais velha e meu pai não fez distinção entre uma primogênita ou um primogênito e desde sempre me levou com ele ao Maraca. Íamos na arquibancada, eu tinha uma almofadinha com as cores do time que levava comigo para o cimento ficar menos duro. Ele era torcedor do Flu, e me ensinou a amar aquelas três cores e o jogo. Eu aprendi sobre tática e estratégia muito cedo porque ele me tratava como um “amigão” e comentava e explicava e instruía a respeito do jogo e de toda a sua beleza. Foi mesmo amor à primeira ida. Eu virei uma obcecada. Eu só falava de futebol, só queria ler os cadernos de esporte, a Placar, a Manchete Esportiva, o Jornal de Esportes, escutar a Rádio Globo AM. O futebol fez o mundo e a vida fazerem sentido para mim. Minha mãe achava que eu era doente, e eu de fato era em certa escala.

UOL ESPORTE: Como você começou a comentar? Se espelhou em alguém?

Tive um grande amor que era a pessoa que mais entendia do jogo no mundo e que complementou os ensinamentos de meu pai. Antes, com ele, aprendi a ser crítica e debochada, que era como ele via os jogos. Mas esse meu grande amor tinha uma crítica fina e apurada, e um conhecimento absurdo de jogadores e de táticas e de estratégias e de como o jogo poderia mudar e de como um jogador alterava uma partida, e da visão do treinador. Nunca conheci ninguém que analisasse o jogo como ela, uma mistura de Tostão com PVC. Muitas vezes, antes de entrar no ar numa transmissão, eu ligava e dizia: quem é o número 15 no banco do Guarani, um tal de Jonas. E ela me dizia a história do cara, e onde ele tinha jogado, e como gostava de atuar e que se entrasse faria isso ou aquilo. Ou perguntava sobre um bandeira que eu queria saber quem era e ela dizia: esse é aquele safado que apitou Corinthians e Comercial em 1988… o conhecimento dela era um absurdo. Outras vezes, quando o jogo acabava, eu ligava e dizia: o que achamos desse jogo?, e eu usava o que ela disse no Arena do dia seguinte sem dar o crédito (em minha defesa, ela não deixava eu dar o crédito). Ela era genial, completamente genial. Poucos meses antes de o Corinthians conquistar a Libertadores um motoqueiro que trafegava em velocidade acima da permitida a levou daqui. Dela eu herdei esse gigantesco amor pelo Corinthians, que era o que ela amava sobre todas as coisas da terra, e agora é minha missão torcer por duas.

UOL ESPORTE: Tinha algum bordão como comentarista?

O futebol é imprevisível como a vida, e por isso me interessa. Acho que o futebol não deve ser entendido, mas sentido. Gosto de pinçar heróis porque outra vez como na vida, no jogo é possível ser herói por um dia. Não tinha nenhum bordão, mas um dia, numa transmissão com o Odinei Ribeiro em São Caetano, um jogador do São Caetano ficou na cara do gol e deu um chute daqueles que a bola quase sai do estádio. E eu disse: isso não foi um chute, foi um desabafo. O Odinei riu, e eu depois também achei engraçadinho. Se eu tivesse ficado mais tempo na TV talvez pudesse ter usado mais.

UOL ESPORTE: Você prefere usar a expressão assumir ou expor quando se fala da condição sexual de uma pessoa?

Acho que é correto sim o “assumir”. O gay, na verdade, não escolher ser gay, por isso implico muito com “opção sexual”. Não é de fato uma opção, é uma orientação. A escolha que existe é entre mentir ou não mentir, esconder ou não esconder, assumir ou não assumir – a única escolha que o gay não tem é a de ser ou não ser gay.

UOL ESPORTE: Você deixava claro ser lésbica na Globo? Houve algum constrangimento?

Assim que eu fui contratada me pediram para não fazer alarde com minha sexualidade. Eles sabiam da coluna da TPM, na qual todos os meses eu falava sobre ser gay abertamente, e explicaram que não queriam que eu mentisse, mas achavam que já era suficientemente subversivo ter uma mulher comentando futebol na TV e que talvez estivesse de bom tamanho falar sobre isso apenas na revista. Achei bastante razoável o argumento, e nunca precisei falar sobre isso no ar, mas teria falado sem problema se o assunto tivesse vindo à tona.

Era um assunto tratado normalmente por todos. Não houve constrangimento, muito pelo contrário. Nas vans, indo para os jogos, o assunto era mais um entre tantos. Os rapazes eram todos muito elegantes e educados. O pessoal do dia a dia, e caras como Jota Jr., Milton Leite, Noriega, Cereto, Marco Aurelio Souza, Leifert… e tantos outros, esses caras sempre me acolheram com muito afeto e respeito. Eu ficava sabendo de um ou outro que, numa reunião ou na cafeteria quando eu não estava, se referia a mim de forma vulgar, mas acho que era mais pelo fato de eu ser mulher do que ser gay. É que nessa hora é mais fácil usar a homossexualidade para tentar ofender.

UOL ESPORTE: E na Record, com seus bispos?

Também foi bastante tranquilo, embora o assunto nunca tenha sido tratado, nem no ar nem fora dele.

UOL ESPORTE: Seria possível hoje dizer na televisão o que você escreve no Twitter com tanta naturalidade? “Fui com minha mulher para Nova York etc”?

Acho que falar sobre minha homossexualidade seria tranquilo, não vejo muito como poderia ser censurada nessa área, mas também não vejo isso sendo um tema em canal de esportes. Não ainda.

UOL ESPORTE: É mais fácil ser gay no papel do que na telinha da TV?

Na TPM, com certeza. Trabalho para a editora Trip há 14 anos, talvez mais, e nunca tive uma vírgula censurada. Muito pelo contrário: O Paulo (Lima), o Califa (Carlos Sarli) e o (Fernando) Luna e sempre deram asas às minhas loucuras. Aliás, eu só escrevo hoje porque o Paulo um dia me pediu um texto. Nessa época eu trabalhava com publicidade, vendendo anúncios em revistas. Mas aí fui passar um tempo na California e o Paulo, que eu conhecia do meio, me pediu um texto sobre uma corrida de aventura que tinha acontecido no Canada. Eu disse: eu não sei escrever. E ele: Sabe sim, basta me contar uma história. Foi o que eu fiz, ele gostou, e eu nunca mais parei de escrever. Eu tinha 29 anos. Mas não sei se seria tão tranquilo sair do armário ou ter uma coluna temática em outras revistas femininas, que infelizmente ainda são muito caretas e conservadoras. A TPM lançou a coluna há quase 15 anos.

UOL ESPORTE: Você fala sobre o tema com naturalidade, mas não levanta bandeira alguma. É a melhor maneira de enfrentar preconceitos?

Acho que é uma das formas. A ideia com a coluna da TPM, que trata da minha homossexualidade em crônicas mensais, era banalizar o tema mostrando que minha vida tem as mesas dores e problemas e alegrias e conquistas e fracassos que qualquer outra vida heterossexual. Nada muda. Então eu conto sobre meu dia a dia e, de passagem, falo de minha mulher, ou de uma ex-mulher.

UOL ESPORTE: Como foi a entrevista que você fez com a Laís de Souza? Você sabia que ela é gay? Sabia se ela queria tornar público?

Não, eu não tinha a menor ideia. Foi uma surpresa. Ela falou no final, eu perguntei se poderia usar na matéria, ela disse que sim porque era uma coisa natural para ela. E a Trip tratou de forma elegante, sem alarde. Eu escrevi exatamente como ela me contou, entre vírgulas, e deixamos assim. A sexualidade de uma pessoa não a define, e a Lais é muitas coisas além disso. Mas a reação da mídia me assustou muito. Não esperava tanto sensacionalismo, tanto desespero por saber mais sobre isso. Fico pensando o que mais tem a ser dito depois que alguém diz que tem uma namorada. Todo o resto que vem depois disso me parece exploração e invasão puras. Se metade dessa curiosidade midiática tivesse sido usada para apurar o Tremsalão, por exemplo, talvez o escândalo não tivesse terminado em pizza.

UOL ESPORTE:
 Como a “confissão'' saiu: Naturalmente ou você ficou perguntando?

Ela falou no meio de uma resposta qualquer, era um outro assunto, não estávamos nem falando sobre relacionamentos. Acho que a geração da Lais não considera a sexualidade um tabu, ou um assunto que valha tanto debate. Como ela mesma disse, e os veículos que repercutiram a entrevista escolheram ignorar, ela “está gay”.

UOL ESPORTE: Como você escreveu outro dia, se todos os atletas assumissem sua condição sexual no mesmo dia, acabaria de vez esse assunto? Deixaria de ser notícia?

Acho que deixaria de ser esse escândalo. Todos poderiam ver que gays estão por todos os lados, em todas as profissões, são de todas as cores e classes sociais, isso ajudaria a banalizar. A notícia perderia o encanto porque já não teria tanta graça fuçar a sexualidade das pessoas. Acho que acabamos nos entregando à tentação de limitar a sexualidade humana entre gays e héteros e assim rotulamos um assunto muito mais complexo e interessante. A gente é tantas coisas, e o amor tem tantas formas. Mas ao mesmo entendo que por enquanto tenha que ser assim. A evolução acontece de forma lenta, e estamos evoluindo apesar de haver dias que parecem mostrar justamente o contrário.

UOL ESPORTE: Morando em Nova York, você tem acompanhado futebol da MLS? Sente que o americano já gosta do soccer?

Não… Os americanos não gostam do jogo ainda. Na Copa foi legal porque eu ia ver os jogos dos Estados Unidos num bar e eles estavam muito empolgados. Acho que eles levam a coisa a sério quando se trata do time nacional, mas eles não entendem muito um jogo jogado com os pés. Como um amigo me disse um dia: “por que vocês gostam tanto de um esporte em que não se pode usar os braços? Por que deixar as coisas mais difíceis?”. Ainda é um jogo “para mulheres” por aqui, e não sei se isso um dia muda. E tem os entraves publicitários porque todos os esportes aqui têm tipo dez mil intervalos comerciais por jogo, e o futebol não permite isso. Então, essa falta de apoio da mídia, que não tem interesse no “soccer” porque não pode lucrar muito com ele, também atrapalha.

UOL ESPORTE: O que achou dos 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa?

Achei justo, esperado, espetacular para dizer a verdade. Eu não me comovo com essa seleção há muitos anos, e enquanto a CBF estiver à frente das coisas não voltarei a me comover. Os 7 a 1 foram construídos desde os anos 80, quando decidimos que as seleções de Telê provaram que jogar bem era sinônimo de não ganhar coisa nenhuma e decidimos que jogaríamos dando botinadas, mas ganharíamos. Nessa hora esquecemos quem éramos, pegamos os meias e dissemos: “meu filho, aprende a marcar e esquece essa história de driblar e lançar. Vem aqui que vamos te ensinar a das uns carrinhos e simular umas faltas”.

Nosso jogo hoje é acovardado e retrancado. E aprendemos a ser arrogantes (dentro e fora de campo, basta ver as entrevistas organizadas pela CBF, um show de patadas e tiradinhas de sarro da cara de repórteres e piadas infames. É esse o espírito que acaba entrando campo), coisa que o povo não é. Acho que o jogo tem que ser reflexo da cultura de um povo, e o nosso não é mais isso. Não é mais alegre, driblador, descontraído. E tem um preço que se paga por abrir mão de coisas tão importantes e verdadeiras. Demorou, mas pagamos. E não acho que tenhamos sanado essa dívida, até porque não me parece que tenhamos aprendido muita coisa com os 7 a 1.

UOL ESPORTE: Quais os grandes jogadores brasileiros de hoje. Arrisca fazer uma seleção?

Eu acho que mais importa voltar à filosofia antiga do que pinçar a melhor lista de jogadores. São tantos bons, tantos capazes, tantos acima da média… Acho que quaisquer 11 bem treinados e adaptados à filosofia do nosso jogo fariam com que o Brasil voltasse a emocionar. Mesmo tratando a base mal, mesmo não buscando mais formar meias, mesmo ensinando a marcar acima de qualquer coisa fomos capazes de gerar um Neymar, um Ganso (ai, eu gosto dele), capazes de ter um goleiro como o Cavallieri, que eu considero espetacular. E realmente acredito que se a gente convocasse o Renato Augusto, para citar um jogador que acho acima da média e com potencial para se adaptar, e insistisse em fazer um time que jogasse bola ele acabaria brilhando. Há outros Renatos Augustos por aí, e a gente poderia ter uma seleção deles desde que respeitássemos nossa escola e nossa cultura.

UOL ESPORTE: Quem é seu treinador preferido?

Hoje, no Brasil, Tite. Na nossa história, Telê. E na história do futebol, Rinnus Mitchel e Guardiola.

UOL ESPORTE: Sente falta de ver a Libertadores?

Muita. Mas sinto mais falta de ver o Corinthians em campo, mesmo que seja no Paulistão contra o Ituano.

Luis Augusto Simon
Do UOL, em São Paulo


Milton Neves compara Edmundo a Jobson, e comentarista se irrita
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O ex-jogador Edmundo se irritou ao vivo no programa Terceiro Tempo, da Band, neste domingo (1). Ao chamar o comentarista para uma participação, o apresentador Milton Neves brincou com uma comparação entre Edmundo e Jóbson, atacante do Botafogo: “O Jobson é igual você, né, nunca teve polêmica e tal… O que aconteceu com o Jóbson aí?”

Assim que entrou no ar, Edmundo interrompeu o apresentador. “Não, não, não, Milton! Não confunde as coisas”, pediu o ex-jogador. Em seguida, Milton Neves começou a se retratar: “Não, a confusão dele é outra, desculpe. Eu quero…”

Mas Edmundo continuou: “Eu nunca fiz as coisas que o Jobson fez, não faz isso comigo não, seja honesto comigo, por favor”, pediu o ex-jogador. O apresentador rapidamente voltou atrás: “Eu quero retirar a brincadeira de mau gosto que eu fiz com você”, afirmou, evitando que a discussão continuasse.

A polêmica aumentou quando um perfil falso de Jóbson no Twitter publicou críticas a Edmundo, e o assunto tomou as redes sociais. “Quem é o Edmundo para falar algo?? Ex. Jogador [sic] derrotado, motorista embriagado. #calabocaedmundo”, dizia a postagem que foi logo retirada do ar.

Os internautas passaram a comentar o caso. “Jobson tem que jogar muita bola ainda pra falar mal do Edmundo”, escreveu um internauta. “O ‘vitorioso’ Jobson chamou o Edmundo de derrotado. É mole?”, opinou outro.

Jóbson não tem um perfil oficial no Twitter. Já Edmundo, que tem uma conta, não comentou o assunto nas redes sociais até o momento.


Quer torcer por Medina? Sem transmissão na TV, internet é salvação
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O torcedor que quiser acompanhar Gabriel Medina e os outros surfistas do país na disputa da Liga Mundial de Surfe (WSL) em 2015 terá de recorrer à internet.

O Circuito Mundial começa na noite desta sexta-feira (pelo horário de Brasília) em Gold Coast (AUS) e nenhuma emissora de TV brasileira ainda fechou acordo para a transmissão da temporada de 2015.

Nos últimos seis anos, a ESPN teve os direitos exclusivos para a transmissão em TV fechada de todas as etapas do WCT e algumas do WQS. Entretanto, até agora, não obteve resposta da WSL. Segundo a assessoria de imprensa do canal informou ao UOL Esporte, uma posição oficial deveria ter saído na última quarta-feira.

A reportagem apurou também que SporTV  e Globo negociam pacotes de transmissão com a WSL.

Desta maneira, o único jeito de ver as baterias no momento será pelo site da WSL (http://www.worldsurfleague.com) ou pelo canal da organização no YouTube (https://www.youtube.com/user/ASPWorldTour).

Segundo reportagem publicada nesta semana pelo jornal The New York Times, cerca de 6,2 milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam pela internet a etapa de Pipeline (HAV), em dezembro do ano passado. Foi neste estágio que Medina assegurou o título mundial.


Ele recebeu uma ligação de Silvio Santos, gritou “gol” e ficou milionário
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Silvio Santos apresentando o programa Golshow na década de 90 (Reprodução)

Elizeu Tabosa Fernandes Filho era um funcionário público de 44 anos acostumado a lidar com dinheiro. Diretor do Tesouro do Estado do Mato Grosso do Sul, ele tinha passado boa parte da vida adulta manipulando cifrões, fazendo contas, produzindo relatórios, escrevendo balanços, levando enfim a rotina banal da burocracia estatal.

Nas horas vagas, Elizeu também se mostrava uma pessoa suficientemente normal. Perdia horas vendo televisão (tinha cinco aparelhos em casa) e torcendo pelo Corinthians; ia à missa aos domingos, via futebol às quartas. Almoçava fora de casa sempre que possível.

Naquela noite, na noite em que se tornaria milionário, foi dormir antes das 23h. Sua filha mais velha, Janaína, disse que ficaria de pé mais um pouco porque tinha um trabalho de faculdade para terminar.

Quando Elizeu estava quase caindo no sono, foi resgatado dele por um grito de Janaína.

“Paaaai, telefone para o senhor!”

Semiacordado, Elizeu perguntou-se quem seria àquela hora. Certamente era um amigo provocador, um santista que ligava sempre que o Corinthians perdia. E naquela tarde o Corinthians havia perdido.

“Quem é?”, perguntou ele, sonolento.

As próximas palavras fariam Elizeu pular da cama. “É o Silvio Santos”, respondeu Janaína. “O Silvio Santos quer falar com o senhor.”

***

Senor Abravanel, o Silvio Santos, estava do outro lado da linha sorrindo como sempre, cumprimentando Elizeu, perguntando de onde ele era, como estava, fazendo-o se sentir à vontade falando ao vivo em rede nacional.

Na frente do apresentador, havia uma estranha engenhoca. Era um canhão, um grande e pesado canhão, que precisava ser minuciosamente calibrado para, ao som da palavra “gol”, disparar uma bola de futebol em direção ao… gol. Silvio Santos tinha comprado a tecnologia na Turquia.

O telespectador, selecionado depois de um sorteio, ficava no telefone e tinha dez segundos para gritar a palavra mágica e acionar o canhão, que se movimentava de um lado para o outro na tela. Se gritasse na hora errada, a bola iria para fora ou o goleiro defenderia.

A cada programa, Silvio convidava um goleiro profissional para tentar defender os chutes do canhão. Atrás da trave, a plateia fazia o papel da torcida e explodia toda vez que o canhão vencia o goleiro.

eliseu tabosaElizeu Tabosa (Arquivo pessoal)

O chão do estúdio era verde como um campo de futebol. A todo momento, garotas em trajes minúsculos cortavam a tela carregando pompons e fazendo acrobacias em meio a chuvas de papel picado.

Silvio Santos dava prêmios como carros importados e dinheiro vivo para quem acertasse as redes ou, ainda melhor, partes específicas das traves. O dono do SBT achou que esse formato de programa, que ele batizou de Golshow, seria um sucesso no Brasil. E estava certo.

Toda semana, vários telespectadores ligavam para participar da brincadeira, que ficou no ar entre 1997 e 1998 e depois em 2002. Mas apenas um deles, Elizeu, ganhou o prêmio máximo: R$ 1 milhão. Até hoje ele não sabe como fez isso.

Como ele fez isso

Na correria para entrar no ar ao vivo, ele deixou de entender que ficaria milionário caso enfiasse a bola numa das duas cestas penduradas nos ângulos do gol. O gol era defendido por Edinho, o filho de Pelé, e jogava no Santos.

Para Elizeu, a brincadeira consistia simplesmente em vencer Edinho para ganhar um carro importado. Ele não sabia que havia um RS 1 milhão em jogo.

Quando o canhão começou a se mexer, e Silvio Santos disse que ele tinha dez segundos para gritar gol, Elizeu fechou os olhos, contou até três e gritou. Ele não viu para onde o canhão apontava e não percebeu onde a bola tinha entrado. Silvio Santos percebeu.

“Um milhão! É um milhão de reais! Ganhou um milhão!”, repetia o apresentador, empolgadíssimo, enquanto no fundo subia o som de uma música animada e a tela era dominada por animadoras de torcida e pompons. “Não poderia ser um espetáculo melhor do que esse! Um milhão!”

“Foi uma loucura, eu não entendi nada, ele ficava repetindo ‘um milhão’ e eu perguntava pra minha mulher ‘O que ele tá falando, que milhão?”, lembra Elizeu.

Só depois de alguns minutos, Elizeu, a mulher e os filhos foram informados pela produção do programa que ele tinha tirado a sorte grande ao acertar o lugar mais improvável do gol, a gaveta, o ângulo, a forquilha, lá onde a coruja dorme, o ponto que dava R$ 1 milhão.

Milionário, Elizeu ficou acordado até 4h da manhã, apertando mãos, dando abraços, retribuindo acenos de quem passava na frente de sua casa para felicitá-lo. Todo mundo queria se contaminar com um pouquinho daquela sorte.

Duas semanas depois, ele estava viajando a São Paulo para conhecer Silvio Santos e receber dele um carro, uma televisão e um cheque no valor R$ 999.999,99.

Para completar o prêmio, Silvio Santos tirou do próprio bolso uma moeda de 1 centavo e a entregou ao novo rico.

Com o dinheiro, Elizeu comprou uma fazenda e começou a criar gado de reprodução. Hoje tem mais de 600 cabeças de uma raça muito nobre. A moeda de 1 centavo ele guardou, transformou em seu amuleto da sorte.

Se antes daquele pênalti tinha uma vida confortável, hoje não precisa mais se preocupar com dinheiro. Mesmo milionário, diz que nunca deixou de trabalhar. “O prêmio alavancou muita coisa na minha vida, me deu uma segurança maior, mas não mudou nada radicalmente”, diz. “Você tem que ser muito centrado quando isso acontece. Se não fizer tudo com muito cuidado, uma hora o dinheiro acaba.”

***

O SBT sempre se orgulhou de ser “a TV dos milionários”, por causa dos grandes prêmios dados por Silvio Santos a seus telespectadores. Até hoje, a emissora transformou sete pessoas em milionárias. Elizeu foi o primeiro.

Além do “patrão”, estiveram à frente do Golshow o narrador Silvio Luiz e os apresentadores Luis Ricardo e Babi Xavier.

Luis Ricardo, que esteve na fase “moderna” da atração, depois de 2002, classifica como genial a ideia de Silvio de fazer um programa nesse formato no Brasil.

“Mesmo não tendo uma relação muito próxima com o futebol, ele conseguiu criar as melhores brincadeiras para reunir as famílias em torno da atração”, conta ele. Além do canhão (o carro-chefe do Golshow), havia outras atividades no programa, todas criadas pelo “patrão”. O programa chegou a ser exibido durante o Teleton e ajudou a arrecadar doações para instituições de caridade.

O apresentador também convidava jogadores profissionais para brincar no palco. Marcelinho Paraíba, Belletti, o goleiro Roger, além de Edinho, são alguns dos nomes que já participaram do Golshow.

No SBT, o programa é visto como um dos mais bem sucedidos dos anos 1990.

Gol Show2Luis Ricardo lembra com saudade do Golshow (Divulgação/SBT)

Adriano Wilkson
Do UOL, em São Paulo


Veja estrelas locais do esporte da Globo que poucos conhecem
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O Globo Esporte é um programa de sucesso há mais de 30 anos, e os telespectadores do Rio de Janeiro e de São Paulo já estão acostumados a ter a companhia na hora do almoço de estrelas como Tiago Leifert, Fernanda Gentil ou Cristiane Dias.

Mas muita gente não sabe que o principal programa esportivo da TV Globo tem outros ícones regionais.

Estados como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraná e Santa Catarina, além do Distrito Federal, têm suas próprias edições da atração para valorizar os times locais e atrair o interesse dos torcedores. Conheça um pouco mais sobre esses âncoras esportivos pelo país.


“Padrão Globo” na NBA faz Sportv explicar até ordem dos times em placar
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Quando a parceria entre o SporTV e NBA foi anunciada, muito basqueteiro torceu o nariz. Temiam a pasteurização do basquete norte-americano, simplificado pelo “padrão Globo de qualidade”. Na noite de terça-feira (24), o Dallas Mavericks bateu o Toronto Raptors na primeira transmissão desse acordo. E quem assistiu ao jogo inaugural viu as qualidades e defeitos que a emissora carioca imprime em todos os eventos que apoia.

Estavam lá o didatismo exagerado (até a ordem dos times no placar ao pé da tela foi explicada), a restrição aos patrocinadores (o American Airlines Center, ginásio do Dallas Mavercks, foi chamado de Arena de Dallas) e um ator global convidado para comentar a partida… Mas apareceram, também, uma pré-produção caprichada (a repórter Karin Duarte entrou ao vivo até mesmo do vestiário do Toronto), um narrador que conhecia o assunto (Roby Porto era narrador da ESPN, na era pré-ESPN Brasil) e um convidado bem informado.

 

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Explicar cada detalhe do jogo. Até ordem do placar…
No Brasil, três canais brasileiros já transmitiam a NBA (ESPN, Space e Sports+, da Sky). Quem quiser, pode acompanhar partidas diariamente. Isso quer dizer que muita gente entendia o que representavava a chegada do SporTV a esse cenário. Mesmo assim, o canal resolveu tratar sua nova atração como novidade total. E isso significa didatismo extremo. Em uma hora de pré-jogo, quem assistiu aprendeu como os times são separados em seis divisões e duas conferências, como funciona a classificação para os playoffs, quais são os times mais vencedores da liga – incluindo uma lembrança sobre os Lakers, que nasceram em Mineápolis – e quem são os principais atletas da liga hoje em dia.

Quando o jogo começou, essa característica se acentuou. No primeiro minuto de jogo, o narrador Roby Porto lembrou que o basquete internacional não usa mais a bola ao alto, que a NBA usa décimos de segundos no relógio de posse de bola a partir dos 4s9 e que na NBA os quartos têm 12 minutos, e não 10, como nos jogos Fiba.

Até mesmo a ordem dos times no placar exibido no pé da tela, gerado pela própria NBA, recebeu atenção: “Algumas das peculiaridades da NBA. Nos EUA, se acostumou a falar que o Toronto joga em Dallas, Toronto at Dallas. Por isso, aí na tela, você vê o Toronto primeiro, apesar de o jogo ser em Dallas”.

Ao longo da transmissão, várias peculiaridades da NBA eram explicadas. Cores dos uniformes (time da casa joga com cores claras), cestas contra (computadas para o capitão rival na Fiba, mas para o jogador que participa do lance na NBA), tempo pedido pelo jogador em quadra (na NBA, quem tem a posse de bola pode parar o jogo)… “É sempre bom pontuar as diferenças do basquete internacional para a NBA”, pontuava Roby.

American Airlines Center vira Arena do Dallas
Essa era uma verdadeira barbada: se a emissora já chamava o Allianz Parque de Arena Palmeiras, era difícil imaginar que algo mudaria em relação aos naming rights dos ginásios americanos. Com isso, em suas entradas ao vivo, a repórter Karin Duarte chamou o local do jogo, o American Airlines Center, de Arena de Dallas.

Olhando os nomes das demais arenas da liga, só dois não representarão problemas: o Madison Square Garden (o mais famoso ginásio dos EUA), do New York Knicks, e o Palace of Auburn Hills, do Detroit Pistons. Todos os outros possuem nomes de empresas. Destes, o mais icônico é o Staples Center, de Los Angeles – imitando a Globo, para quem não sabe, Staples é uma rede de lojas de material para escritório…

AP

Nada de “amigo internauta” ou narração em inglês
Quem acompanha NBA nas outras emissoras está acostumado com a interação com o público. O famoso amigo internauta. Narradores e comentaristas leem mensagens, respondem perguntas e divulgam hashtags nas transmissões. O SporTV não fez nada disso. Mesmo assim, o público chegou a colocar o #NBAnoSportv nos trending topics do Brasil durante o primeiro quarto – sem encontrar respaldo na transmissão, porém, temas como o Big Brother Brasil acabaram superando a NBA. Os internautas também sentiram falta de uma opção comum na concorrência que não estava disponível no SporTV: as narrações em inglês.

Como ponto positivo, o narrador Roby Porto e sua equipe de produção mostraram que estavam atentos às notícias da liga. Durante o quarto período, o Chicago Bulls anunciou que o armador Derick Rose teria de operar o joelho pela terceira vez. A notícia foi dada no ar imediatamente.

O ator global convidado que sabia do que estava falando

Convidar uma celebridade para comentar eventos esportivos é um clichê da Globo. Mas, desta vez, deu muito certo. Quem apareceu no SporTV foi Jorge de Sá, filho de Sandra de Sá. E ele realmente sabia do que estava falando. Fã de basquete, ele conhecia os destaques de cada time e as características dos principais jogadores da liga. Poderia ter sido mais utilizado: durante a partida, só os comentaristas oficiais do canal, Byra Bello e o ex-árbitro Carlos Renato, foram acionados.

Divulgação

Entrevista ao vivo até do vestiário
A pré-produção sempre foi uma característica marcante dos produtos Globo/SporTV. Não foi diferente com a NBA. Correspondente do canal dos EUA, Karin Duarte fez várias entradas ao vivo de Dallas, incluindo do vestiário. Ela entrevistou o brasileiro Lucas Bebê, jogador do Toronto, que não foi relacionado para a partida, mas explicou como era a rotina dos jogadores antes de cada partida. E teve uma conversa engraçada com o armador venezuelano Greivis Vasquez, que disse estar à procura de uma namorada brasileira.

Roby Porto estava à vontade com a NBA (mas citou a ESPN)
No começo dos anos 2000, a ESPN ainda não tinha uma emissora brasileira. Mas transmitia a NBA para o Brasil em português. Roby Porto era o narrador daquela época. Além disso, também chegou a narrar transmissões para o site Globoesporte.com. Experiência para narrar a liga, portanto, não faltava.

A única derrapada aconteceu pouco antes do início da partida. Durante o pré-jogo, o narrador acabou se confundindo ao falar sobre a transmissão do Jogo das Estrelas, que fez para o site da emissora em parceria com a NBA.com: “Nós fizemos o Jogos das Estrelas pelo ESPN.com. Ou melhor, para o NBA.com”. Mas nada que atrapalhasse o andamento da partida.

Bruno Doro
Do UOL, em São Paulo