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Ex-mulher de Luciano do Valle lembra xaveco de Roberto Carlos no ar

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Lá pelos anos 90, a televisão não era como hoje, com canais pagos e a chance de se assistir a esportes ininterruptamente. Naquela época, a apresentadora Silvia Vinhas não tinha domingo livre. É que a Bandeirantes aproveitava os domingos de futebol para fazer uma extensa cobertura esportiva, em jornadas que duravam até 12 horas e que, na opinião dela, influenciaram muito o que se vê hoje nas telinhas. Mas sua história com esta carreira vem de anos antes e é muito curiosa, principalmente pela ligação com ex-marido Luciano do Valle.

Se hoje Silvia é vista na bancada do Bandsports, na década de 1980 a paulista de Monte Azul tinha como ambiente mais usual o consultório, como dentista, profissão em que atuou por cinco anos. Em 1981, conheceu Do Valle, com quem acabou se casando. A convivência a deixou mais próxima do esporte, e foi quando o casal morava nos Estados Unidos que ela acabou iniciando sua nova carreira.

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O narrador tinha a produtora Luqui Corporation, que fornecia material para a Band. A surpresa foi quando ela foi chamada no improviso para substituir uma jornalista durante uma etapa da Fórmula Indy.

“Por essas coincidências da vida, fui substituir essa jornalista. Eu fui e não ia aparecer, ia montar as coisas do GP, ajudar com os equipamentos. Mas, como fiquei o fim de semana todo, ele (Do Valle) falou: ‘quando tiver a transmissão, você conta pra gente o que aconteceu’”, relembra ela. “Foi um desastre! Eu não estava acostumada a fazer transmissão. Eu escrevi tudo o que tinha acontecido e comecei a ler aquilo no ar. Eu lia, lia. Começou bagunçado, mas no fim deu tudo certo.”

Silvia morou de 1988 a 1993 nos Estados Unidos. Fez uma especialização por lá e, numa trilha oposta ao mais comum, virou correspondente antes de trabalhar no Brasil.

“Logo depois eu e o Luciano nos separamos, em 1989, mas nós somos amigos até hoje e sempre fomos colegas de trabalho”, conta a veterana. “Eu falo que ele é meu padrinho, por estar ao lado dele nessas horas. Às vezes às pessoas são um instrumento na vida da gente. Minha convivência com ele, tudo o que aprendi com ele, foi algo marcante e continuou.”

A localização ajudou, e muito. Além da Fórmula Indy, nos EUA ela pôde acompanhar futebol americano, beisebol e, principalmente, a NBA, com direito a uma exclusiva com Michael Jordan quando estava grávida.

Na volta ao Brasil é que começaram as maratonas de sábado e domingo na Band, que se intitulava “O Canal do Esporte”. Ela foi repórter, cobriu clubes, e em 1995 começou na bancada.

No vestiário, a bronca de Jordan

  • Outro caso que Silvia lembra com perfeição foi quando entrou no vestiário do Chicago Bulls para entrevistar o astro Michael Jordan. O detalhe: estava grávida e sua filha nasceu dois dias depois da entrevista. “Os jogadores estavam acostumados. Eu cheguei e estavam todos aqueles monstros de toalha. Menos o Jordan: eu lembro que caminhei e nem olhei para o lado, ele estava todo chiquérrimo, cheiroso. Mas o pessoal começou a reclama: mulher podia, mas uma grávida, mãe?”, afirma ela. “Ele (Jordan) falou: ‘Que patrão deixa uma mulher trabalhar desta forma?’. Mas eram épocas diferentes e lá é assim, eu tinha pedido a entrevista, tinha que fazer.”

“Era outra realidade. No sábado a gente fazia a feijoada com futebol, antes e depois da rodada, era um sucesso. Quando trabalhei no domingo, a gente começava às 11h e terminava 22h, 23h. Era a proposta, um domingo esportivo. Já fazia parte da minha vida. A gente almoçava no estúdio, eu levava minha filha e ela ficava brincando com as laudas, com o microfone. Por muito tempo eu fiquei sem sábado e domingo”, ri ela.

Silvia Vinhas é da opinião que o futebol era diferente na época. Ela estava ao lado de jogadores carismáticos e menos sisudos, como Viola, Paulo Nunes e Roberto Carlos, ex-Palmeiras. Este último, por sinal, rendeu uma história que ainda é viva em sua memória. Um xaveco no ar.

“Tive grandes momentos, mas um bem legal foi ao vivo. O Fernando Fernandes estava entrevistando o Roberto Carlos e ele perguntou: ‘quem tá lá (no estúdio)?’. Ao saber que era eu, ele começou a fazer uma super declaração de amor, dizendo que era apaixonado por mim (risos). O diretor ainda dividiu a tela, e eu ali, com aquela cara de panaca (mais risos). Mas eu achei o máximo”, relembra, com uma pontada de nostalgia.

“Foi uma época de referência. A gente norteou a geração que veio agora. Por exemplo, não tinha jornalista esportivo mulher e eu tinha de entrar no meio do vestiário para falar com jogadores”, diz Silvia. “Hoje temos mulheres lindas, como a Renata Fan, que é absolutamente linda e é respeitada. Foi uma porta grande que abri.”

Maurício Dehò
Do UOL, em São Paulo